
Ouça este conteúdo
Um navio britânico desaparecido por 118 anos foi localizado novamente no fundo do Canal da Mancha. Os destroços do HMS Tiger, contratorpedeiro da Marinha Real, foram encontrados por mergulhadores e historiadores do ProjectXplore, que passaram cinco anos cruzando registros de arquivo até chegar à área do naufrágio. A descoberta foi anunciada em 10 de agosto, perto da Ilha de Wight.
O HMS Tiger afundou em 1908 durante um exercício militar noturno que terminou em uma colisão com o cruzador HMS Berwick. O impacto partiu o navio menor ao meio. Dos 57 tripulantes a bordo, menos da metade sobreviveu.
Agora, além de revelar o paradeiro de uma embarcação perdida por mais de um século, o achado ocorre em meio a uma mudança na legislação britânica que pretende ampliar a proteção de naufrágios militares.
VEJA TAMBÉM:
Como o navio britânico desapareceu no mar?
O naufrágio ocorreu durante uma operação de treinamento da frota britânica, em uma área próxima à Ilha de Wight. O HMS Tiger participava de manobras noturnas quando entrou na trajetória do HMS Berwick, um cruzador de cerca de 10 mil toneladas. O Tiger tinha aproximadamente 400 toneladas.
A proximidade deixou pouco tempo para reação. O Berwick atingiu o Tiger no centro, cortando o contratorpedeiro em duas partes. Segundo a Marinha Real, a proa afundou imediatamente, levando consigo o comandante e vários tripulantes. A popa permaneceu na superfície por cerca de três minutos antes de desaparecer.
A tragédia ganhou grande repercussão na imprensa britânica e foi motivo de uma mensagem de condolências do rei Edward VII. Apesar da repercussão, a localização exata dos destroços permaneceu um mistério por 118 anos. A Marinha Real e pesquisadores fizeram buscas ao longo das décadas, sem conseguir determinar onde o Tiger havia terminado sua última viagem.

Cinco anos de pesquisa para encontrar o navio britânico HMS Tiger
A resposta veio do ProjectXplore, grupo formado por mergulhadores e historiadores especializados em naufrágios. Durante cinco anos, os pesquisadores analisaram documentos e reuniram dados históricos relacionados ao acidente para delimitar a região onde o HMS Tiger poderia estar.
Em 2025, o grupo também havia localizado os destroços do HMS Nottingham, cruzador da Marinha Real encontrado no Mar do Norte.
Leo Fielding e Dan McMullen, coorganizadores do ProjectXplore, afirmaram, em comunicado, que descobrir e documentar o Tiger "foi um trabalho de grande significado". Segundo eles, a expectativa é que a pesquisa "ajude a manter viva a história do navio e a memória das pessoas ligadas à tragédia".
Os pesquisadores também receberam positivamente a proposta de ampliar a proteção dos naufrágios militares. Para o ProjectXplore, as mudanças representam “um passo construtivo” para preservar o patrimônio marítimo do Reino Unido e garantir proteção adequada a locais de importância histórica e arqueológica.

O que muda na proteção dos naufrágios?
A descoberta ocorre enquanto o Parlamento britânico analisa o Armed Forces Bill, projeto que prevê novas regras para a preservação de embarcações militares naufragadas. Pela proposta, locais como o HMS Tiger poderão receber automaticamente a classificação de “local protegido” a partir do momento em que forem descobertos.
Na prática, perturbar os destroços ou retirar objetos sem autorização poderá se tornar crime. A medida não pretende impedir a visita de mergulhadores. Eles ainda poderão acessar os locais, desde que respeitem o princípio de observar sem tocar ou remover partes das embarcações.
A mudança também amplia o alcance temporal da legislação. Atualmente, a proteção prevista pelo Protection of Military Remains Act (lei britânica que protege destroços de embarcações militares e os restos de suas tripulações) tem uma limitação relacionada a embarcações perdidas nos últimos 200 anos. A proposta elimina esse limite, abrindo espaço para proteger navios militares muito mais antigos, inclusive embarcações associadas à época da Armada.



