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Barco de Cousteau apodrece em porto francês e expõe descaso com patrimônio

  • PorAlissa J. Rubin
  • The New York Times
  • 06/07/2015 22:00
O Calypso, a embarcação de pesquisa de Jacques Cousteau, foi trazido de volta à França para ser consertado em 2007, mas disputas jurídicas deixaram o barco apodrecendo | Dmitry Kostyukov/The New York Times
O Calypso, a embarcação de pesquisa de Jacques Cousteau, foi trazido de volta à França para ser consertado em 2007, mas disputas jurídicas deixaram o barco apodrecendo| Foto: Dmitry Kostyukov/The New York Times

No seu auge, o Calypso era muito mais do que um barco dedicado à pesquisa oceanográfica. Ele era o companheiro incansável do famoso explorador francês Jacques Cousteau, enquanto seu capitão singrava pelo Mar Vermelho, Rio Amazonas, Antártica, ou Oceano Índico.

Agora, tudo o que sobrou foi o esqueleto do barco, parado em frente a um armazém nesta pequena cidade portuária na costa da Bretanha, no oeste da França. É difícil reconhecer essa estrutura como a mesma que estrelou em filmes premiados e aventuras exibidas na TV desde meados dos anos 1950 até os anos 1980.

Ao longo das décadas, Cousteau e o Calypso se tornaram os ícones de um vibrante movimento ecológico, enquanto estudavam tubarões, esponjas do mar e naufrágios em todo o planeta.

Atualmente, o Calypso apodrece no armazém para onde foi trazido para ser reformado em 2007. A grama cresce por entre as vigas de madeira do casco, e o barco agora é um símbolo de como Cousteau desapareceu da memória coletiva e de como nem o governo francês, nem os herdeiros de Cousteau encontraram uma solução para o processo de restauração.

Cousteau era tão cientista quanto showman e foi o primeiro a perceber que para conseguir financiamento a pesquisa científica precisava chamar a atenção do grande público. Ao refinar os métodos de filmagem subaquática, ele fez exatamente isso, criando uma série de documentos da vida sob as ondas do mar.

Mas ele não deu muitas orientações sobre o que deveria ser feito com seu barco após sua morte, que ocorreu aos 87 anos, em sua residência parisiense, em 1997.

Ainda em uso em 1996, o Calypso estava no porto de Cingapura quando uma barcaça se chocou acidentalmente com o barco de Cousteau, que acabou afundando. Passaram-se dias até que ele fosse trazido novamente à superfície e ainda mais tempo para que ele fosse trazido de volta à França.

Embora a Cousteau Society, uma organização ambientalista sem fins lucrativos fundada por Cousteau, tenha iniciado a restauração após a morte do explorador, uma série de processos e disputas deixaram a estrutura de madeira apodrecendo, assim como a famosa proa falsa com a câmara submarina.

O abandono não é nada surpreendente, segundo Gérard D’Aboville, capitão do PlanetSolar, uma embarcação de pesquisa movida a energia solar. O governo nunca mostrou muito entusiasmo pela conservação dos navios do país, afirmou ele.

O registro de monumentos históricos da França lista 43.000 edifícios, 1.400 órgãos de tubos, mas apenas 133 embarcações.

As chances de o Calypso receber patrocínio do governo também diminui à medida que sua fama some da memória. “Se você perguntar para as gerações mais jovens da França, eles nunca ouviram falar do navio”, afirmou D’Aboville.

A prática de reciclar picando a madeira em milhares de pedaços é um insulto para um barco como o Calypso, que tem um passado tão ilustre. Ninguém teve coragem de falar sobre isso quando ele chegou a Concarneau para passar por uma restauração completa em 2007, e uma multidão foi às docas para assistir sua chegada. Na ocasião, a Cousteau Society distribuiu bonés vermelhos em homenagem a Cousteau.

“Quando soubemos que a oficina havia recebido o pedido de reforma do Calypso, as pessoas ficaram muito orgulhosas”, lembrou Bruno Quillivic, vice-diretor dos portos de Concarneau, referindo-se à oficina Piriou Naval Services, um dos principais empregadores da região e uma das maiores construtoras navais da França.

Tudo caminhava bem, mas no início de 2009, a Cousteau Society concluiu que a reforma não estava sendo feito adequadamente e interrompeu os pagamentos. A Piriou parou de trabalhar na embarcação e uma série de processos foram para os tribunais.

Um juiz decidiu em favor da Piriou, afirmando que a Cousteau Society precisava pagar 273 mil euros à empresa e tirar o navio do armazém de Concarneau. A Piriou afirmou que se a Cousteau Society não tirasse o Calypso do local até meados de março, a empresa iria leiloá-lo.

Os prazos se esgotaram, mas o barco nunca foi vendido.

Nenhuma cidade ofereceu um lar para a embarcação. E a Cousteau Society afirmou apenas que estaria conversando com Mônaco, onde Cousteau era diretor do Museu Oceanográfico.

Nas docas de Concarneau, nos estaleiros, e entre os pescadores, ninguém tem dúvidas de qual seria o destino mais digno para o Calpyso: ele deveria descansar no fundo do mar.

Jacques Scavennec, um marinheiro de 70 anos, falou sem pestanejar: “Ele deve ficar a 3.000 metros de profundidade e ser esquecido”.

Contribuiu Aurelien Breeden

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