A Cidade do Automóvel, na França, exibe 400 veículos clássicos, famosos e de corrida. Acima, o museu do carro em Turim, Itália | Museu Nacional do Automóvel
A Cidade do Automóvel, na França, exibe 400 veículos clássicos, famosos e de corrida. Acima, o museu do carro em Turim, Itália| Foto: Museu Nacional do Automóvel

Se levarmos em consideração todos os relatos da onda crescente de desdém pela cultura automotiva entre os jovens, podemos ter a impressão de que o veículo motorizado está entrando em seu crepúsculo.

Porém, em vez de serem relegados aos cantos escuros como relíquias curiosas, os carros estão sendo celebrados no mundo inteiro. Nos últimos anos, novos museus dedicados aos automóveis foram inaugurados, outros investiram milhões em obras de reforma, e instituições antes limitadas a exposições de belas-artes descobriram o apelo popular do metal, da borracha e dos cromados.

O Museu Nacional do Automóvel, em Turim, Itália, completou em 2011 uma expansão de quatro anos e US$ 40 milhões que poderia muito bem ser o arquétipo do museu do automóvel moderno.

A pesquisa histórica do museu vai de um modelo em escala natural do "carro" projetado por Leonardo da Vinci, em 1478, às mais recentes alternativas de combustível para veículos. Dioramas se alternam com monitores sensíveis ao toque, quiosques, um interior completo de casa feito com peças automotivas, uma espécie de parque de diversões numa linha de montagem automobilística e mais.

Em Mulhouse, França, a Coleção Schlumpf, na Cidade do Automóvel do Museu Nacional, foi reformada de forma abrangente em 2006. Mais de 400 Bugattis raros e outros veículos exóticos, colecionados pelos empresários da indústria têxtil Hans e Fritz Schlumpf, estão expostos em pisos encerados ou bases com imagens arrojadas atrás. Também existe restaurante e uma pequena pista de corrida.

A tendência da exposição de veículos em museus de belas-artes tradicionais tem de ser considerada um fator a impulsionar a mudança nessa abordagem. O grande sucesso da exposição de 1998 "A Arte da Motocicleta", no Museu Guggenheim, em Nova York, que apresentou mais de cem motocicletas numa mostra organizada por Frank Gehry, demonstrou que os museus de arte podiam criar formas para a apreciação do veículo motorizado. O Museu de Belas-Artes de Boston foi o seguinte, em 2005, com a exposição "Velocidade, Estilo e Beleza: Carros da Coleção de Ralph Lauren".

"A oportunidade de ver um automóvel antigo por sua engenharia e beleza escultural é uma experiência intrigante", afirmou Peter Mullin, presidente do Museu Automotivo Petersen, de Los Angeles. Segundo ele, exposições de carros em museus de belas-artes norte-americanos, como o Centro Frist das Artes Visuais em Nashville, Tennessee, e o Museu de Arte de Phoenix atraíram um publico recorde.

Contudo, os museus de arte não influenciaram o projeto do novo prédio imponente ao lado do canal, de autoria de Michael Graves, que o museu do automóvel Louwman, Holanda, ocupa em Haia desde 2010.

"Nós não os examinamos durante nosso planejamento porque eles são baseados em quem era o artista, não em por que ele fez a pintura", disse o proprietário, Evert Louwman. "Essa história – o amor a respeito de por que o carro foi feito – é essencial na mensagem de um museu automobilístico."

Aaron Betsky, diretor do Museu de Arte de Cincinnati, Ohio, diz ser natural expor carros como se fossem arte. "Os automóveis, a exemplo de outros objetos da nossa vida diária, podem ser exemplos de como a arte pode ser usada para transformar sua vida, uma consequência do movimento das artes e ofícios."

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