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Muitos cientistas resistem à ideia de que o cérebro é um computador, escreveu Gary Marcus no “The New York Times”, porque eles não veem o cérebro como uma “máquina serial, equipada com programas”.

Os céticos dizem que as pessoas não descarregam programas e nossas células nervosas são muito mais lentas que os transistores que acionam os computadores modernos. Há também a divisão digital-analógica.

No entanto, o professor Marcus afirma que muitos circuitos de computadores digitais têm componentes analógicos, e a maioria dos primeiros computadores era analógica. Os cientistas não têm certeza se nossos cérebros são analógicos ou digitais —ou uma mistura de ambos.

“Sistemas neurais como a amígdala, que modula as emoções, parecem funcionar da mesma forma que o resto do cérebro, isto é, eles transmitem sinais e integram informações, transformando instruções em resultados”, escreveu. “Como qualquer cientista da computação lhe dirá, é mais ou menos o que os computadores fazem.”

O funcionamento do cérebro pode ser misterioso, mas não é mágico. “Se o coração é uma bomba biológica e o nariz um filtro biológico, o cérebro é um computador biológico”, escreveu, “uma máquina para processar informações de maneira regular e sistemática.”

Também existe uma nova pesquisa sobre como o cérebro percebe o mundo, derrubando a ideia de que os humanos têm um “fluxo” de consciência, relatou Gregory Hickok.

Fisiologistas descobriram as ondas cerebrais nos anos 1920, medindo as correntes elétricas na superfície do couro cabeludo com eletroencefalogramas.

Mais tarde, pesquisas descobriram um espectro de ondas alfa, delta etc. correlacionadas aos estados mentais.

Recentemente, cientistas começaram a “explorar a possibilidade de que os ritmos do cérebro não sejam um reflexo da atividade mental, mas uma causa dela, ajudando a moldar a percepção, o movimento, a memória e a própria consciência”, escreveu Hickok. “Isso significa que o cérebro faz amostras do mundo em impulsos rítmicos, talvez até pedaços de tempo isolados, como os quadros de um filme.”

Talvez sejam esses quadros que levam a preconceitos quando se trata de contratar empregados, tarefa que muitos acreditam exigir um toque humano, segundo Claire Ann Miller. Conversar e captar sinais sociais pode parecer difícil para uma máquina, mas os computadores se mostraram úteis no processo de recrutamento.

Os empregadores “tomam decisões muitas vezes inconscientemente, com base em semelhanças que não têm nada a ver com as exigências do emprego —como se um candidato tem um amigo em comum, estudou na mesma escola ou gosta dos mesmos esportes”, escreveu Miller.

Uma onda de novas empresas diz que um software pode executar o serviço com maior eficiência que as pessoas.

Robôs estão entrando em profissões que já foram consideradas a salvo das máquinas. Com um software de detecção de emoções, um “quiosque com avatar incorporado” (robô) fez entrevistas a visitantes na fronteira dos EUA. Em testes, o robô se saiu muito melhor que os humanos para apanhar os que tinham documentação inválida, relatou Zeynep Tufekci.

“Sim, as máquinas estão ficando mais inteligentes e são adotadas em cada vez mais ocupações”, escreveu Tufekci. “E não apenas aquelas mal pagas.”

Os computadores alteram o equilíbrio de poder em favor dos empregadores. Os trabalhadores são incentivados a adquirir mais técnicas ou a confiar que a intuição humana de algum modo os protegerá. Mas novas máquinas já alteraram essa equação.

“Não precisamos rejeitar ou culpar a tecnologia”, escreveu Tufekci. “O problema não é nós versus as máquinas, mas entre nós, como humanos, e como valorizamos a nós mesmos.”

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