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intolerância

Igrejas frequentadas por negros são atacadas nos Estados Unidos

  • PorRachel L. Swarns e Campbell Robertson
  • The New York Times
  • 06/07/2015 22:00
Fiéis da Igreja Episcopal Metodista Africana em Washington rezam pelas vítimas do ataque em Charleston | Win Mcnamee/Getty Images
Fiéis da Igreja Episcopal Metodista Africana em Washington rezam pelas vítimas do ataque em Charleston| Foto: Win Mcnamee/Getty Images

Em Atlanta, antigos escravos entoavam canções de louvor em um vagão de trem abandonado. No condado de Lincoln, na Carolina do Norte, eles clamavam por Jesus em um prédio feito de velhos postes de pinho. Nos arredores de Cartersville, Geórgia, fiéis elevavam suas vozes aos céus em uma loja de secos e molhados.

Após a Guerra Civil nos EUA (1861-1865), os afro-americanos abandonaram as congregações frequentadas pelos brancos, onde rezavam quando eram escravos, e criaram seus próprios centros religiosos.

O que surgiu após a emancipação, segundo o especialista em estudos afro-americanos W. E. B. Du Bois e outros pesquisadores, foi “a primeira instituição social plenamente controlada pelos homens negros dos Estados Unidos”.

As igrejas negras contavam com escolas, ofereciam assistência para enterros e ainda davam informações sobre empregos, eventos sociais e política. Elas também representavam as aspirações políticas de suas comunidades.

Não demorou muito, porém, para que esses espaços se convertessem em alvos.

Em 1870, quando a Ku Klux Klan (organização terrorista que pregava a supremacia branca) tentava obrigar os afro-americanos a retornarem à condição de subserviência, quase todas as igrejas negras de Tuskegee, Alabama, foram destruídas pelas chamas.

Noventa e três anos depois, durante o movimento pelos direitos civis nos EUA, uma bomba matou quatro meninas em uma igreja frequentada pela comunidade negra em Birmingham, Alabama.

Por isso, quando o reverendo Henry A. Belin soube do recente ataque à Igreja Episcopal Metodista Africana Emanuel, em Charleston, na Carolina do Sul, ele não ficou surpreso.

“Eles atacam aquilo que acreditam que vai atingir o coração”, afirmou Belin, pastor da Igreja Bethel First AME, em Nova York. “As igrejas negras sempre foram esse coração”.

Mesmo em um momento em que o número de fiéis não para de cair, as igrejas continuam a ser instituições importantes para os afro-americanos. Em 2014, 79% dos afro-americanos se identificavam como cristãos, um total que caiu nos últimos anos, mas que continua a ser mais alto do que entre qualquer outro grupo étnico, de acordo com o Pew Research Center.

A missão das igrejas sempre foi além dos cultos dominicais.

No século 19, elas tornaram-se motores vitais para as comunidades. Mais de cem dos primeiros homens negros a serem eleitos a cargos legislativos nos Estados Unidos eram pastores, de acordo com Eric Foner, professor de história na Universidade Columbia, em Nova York.

Durante o período da segregação racial, as igrejas tornaram-se lugares onde homens e mulheres negras encontravam oportunidades de liderança que eram negadas em qualquer outro espaço. Algumas se converteram em plataformas para políticos e sedes para movimentos de protesto, incluindo os eventos recentes contra a brutalidade policial.

Os diáconos das pequenas igrejas no interior dos Estados sulistas dos EUA tornaram-se soldados na luta pela melhoria da saúde pública, organizando clubes de caminhada e refeições saudáveis em lugares assolados por doenças cardíacas e pelo diabetes. Além disso, as igrejas continuam a ser centros de comunicação muito eficientes, como fica claro em época de eleições, quando figuras políticas começam a aparecer nos púlpitos. Em Nova Orleans, as igrejas negras converteram-se em canais de compartilhamento de informações quando os moradores perderam suas casas após as enchentes causadas pelo furacão Katrina.

“Não é só africana, não é apenas americana, nem aquela experiência religiosa à qual você está acostumado”, afirmou o reverendo Dwight Webster, da Igreja Batista da União Cristã em Nova Orleans. “A igreja tornou-se aquilo que precisávamos para sobreviver”.

Heidi Beirich, diretora do projeto de informação do Centro Legal da Pobreza no Sul, afirmou que grupos extremistas sempre tiveram consciência da importância da igreja.

“Elas funcionam como símbolo das comunidades negras”, afirmou. “Ela é um alvo óbvio para quem quer machucar os negros”.

Mesmo com a evolução das igrejas, a violência racial nunca deixou de existir. O assassinato das quatro garotas em Birmingham foi apenas um entre os mais de 300 ataques a igrejas nos anos 1960, de acordo com o artigo “Black Church Arson in the United States 1989-1996”, (Incêndios criminosos em igrejas negras nos Estados Unidos 1989-1996) publicado pela primeira vez na revista científica “The Journal of Ethnic and Racial Studies”, em 1999.

A violência continua. De 1989 a 1996, mais de 200 igrejas negras e multirraciais foram queimadas no país, de acordo com uma audiência realizada no congresso americano em 1997, segundo o artigo.

O ataque a mão armada em Charleston fez os temores reaparecerem. Pastores afirmam que estão pensando em contratar seguranças.

“Em igrejas de todo o país, as pessoas estão perguntando se precisamos de alguém na porta, alguém que questione pessoas desconhecidas”, afirmou Barbara D. Savage, autora do livro “Your Spirits Walk Beside Us: The Politics of Black Religion” (Seu espírito caminha ao nosso lado: A política da religião negra). “Esse é um exemplo de como o terrorismo funciona”.

Colaboraran Kate Pastor, Jada F. Smith e Susan C. Beachy

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