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Tendências mundiais

Mães de aluguel estão prosperando na China

  • PorPor IAN JOHNSON e CAO LI
  • 24/08/2014 21:04
A lei chinesa proíbe a barriga de aluguel, mas empresas como a Baby Plan oferecem o serviço. Kong pode ganhar 24.000 dólares por gerar e dar a luz ao filho de um casal. Kiki Zhao contribuiu com a pesquisa de Pequim | SIM chi yin para The New York Times
A lei chinesa proíbe a barriga de aluguel, mas empresas como a Baby Plan oferecem o serviço. Kong pode ganhar 24.000 dólares por gerar e dar a luz ao filho de um casal. Kiki Zhao contribuiu com a pesquisa de Pequim| Foto: SIM chi yin para The New York Times

Em uma pequena sala de conferência com vista para o horizonte poluído da cidade, Huang Jinlai exibe a sua oferta para a elite sem filho da China: por 240.000 dólares, um bebê com o seu DNA, seu sexo preferido, nascido de uma camponesa paparicada, porém, prisioneira.

O acordo é oferecido pela Empresa de Tecnologia em Medicina Baby Plan de Huang, que tem filiais em quatro cidades chinesas e mais de 300 nascimentos de sucesso por ano.

Assim como na maioria dos países, a barriga de aluguel é ilegal na China. Porém, uma combinação do aumento da infertilidade, um recém-relaxamento da lei do filho único e uma obrigação cultural de ter filhos deu início a um próspero mercado negro das barrigas de aluguel que os especialistas afirmam produzir mais de 10.000 nascimentos por ano.

O comércio une os casais desesperados por filhos às mulheres pobres desesperadas por dinheiro dentro do mundo obscuro dos corretores online, das clínicas particulares duvidosas e das viagens caras para o exterior.

"O mercado negro da China demonstra que existe uma demanda por mães de aluguel na sociedade", disse Wang Bin, professor adjunto da faculdade de direito da Universidade de Nankai. "E onde existe uma demanda, existe um mercado".

O aumento das mães de aluguel está frequentemente relacionado ao aumento de casais mais ricos e com nível superior que aguardam até o final dos seus 30 anos para constituírem família, uma tendência que dificulta a gravidez. Alguns acadêmicos afirmam que a poluição do ar, da água e do solo da China contribui para o aumento da infertilidade, embora essa alegação não tenha comprovação científica.

A tradição diz que os casais precisam ter um filho. Algumas mulheres quere um filho pois acreditam que, caso contrário, seus maridos pedirão divórcio. E alguns casais que procuram barrigas de aluguel têm estórias mais tristes, às vezes, querendo apenas repor um filho que morreu.

Uma mulher que pediu para ser identificada apenas pelo nome da família, Zuo, disse que uma amiga a colocou em contato com uma mulher da zona rural que já tinha dado à luz e que precisava de mais renda. Outra amiga recomendou uma clínica particular em Pequim que conduziria a implantação do embrião e acompanharia os tratamentos; uma mãe de aluguel precisa de meses de tratamento hormonal na preparação do corpo para receber o embrião e para evitar a rejeição.

A mãe de aluguel engravidou, mas disse que queria ficar com o bebê, e desapareceu. "Pagamos 30.000 yuanes, cerca de 5.000 dólares, como adiantamento", Zuo disse. "E não ganhamos nada, e não temos nenhum meio de encontrar a mulher".

Em Wuhan, a Baby Plan oferece um programa mais caro, porém, controlado. Para doar o esperma e os óvulos, os casais chineses voam até a Tailândia, onde a barriga de aluguel é legalizada. Uma mãe de aluguel chinesa também é mandada para lá e recebe o implante. De volta à China, a mãe de aluguel é instalada em um apartamento com uma assistente. Segundo Huang, para garantir que ela não tenha a ideia de fugir com o feto da cliente, ela é isolada da família e recebe visitas diárias de um consultor psicológico.

Se tudo correr bem, o bebê nasce em uma clínica particular, e Huang afirma ter um acordo com a Baby Plan para registrar a criança como filho legítimo do casal. Se a fertilização der certo na primeira tentativa, a Baby Plan lucra 24.000 dólares, Huang estima, a mesma quantia que a mãe de aluguel recebe.

"O bebê é garantido, assim como a verificação do DNA", Huang disse. "Do contrário, não precisa pagar".

Um cliente da Baby Plan é uma profissional de 49 anos de Xangai que pediu para ser identificada apenas pelo sobrenome, Zhang. A filha de 18 anos de Zhang cometeu suicídio em 2012. Devido à lei do filho único da China, ela era a única filha do casal. Após um ano de aconselhamento extensivo, o casal decidiu que só conseguiriam superar o trauma se tivessem outra filha. Um exame médico, no entanto, revelou que os óvulos de Zhang provavelmente estavam velhos demais para serem fertilizados. Zhang disse ter sugerido ao marido a utilização de óvulos de outra mulher.

"Pelo menos com o esperma dele, o bebê parecerá um pouco com ela", Zhang disse sobre a filha falecida.

Huang contou que as suas mães de aluguel eram todas chinesas. Segundo ele, a clientela da classe alta não aceitaria uma estrangeira que, embora cobrando menos, é considerada inferior como barriga de aluguel. Mesmo assim, as mulheres estrangeiras são amplamente usadas.

Huang disse que a empresa tinha preferência por mulheres que já fossem mães. Elas ficam menos preocupadas com os possíveis efeitos colaterais, e são mais estáveis mentalmente, segundo ele.

Mesmo com as mulheres mais maduras, o preço pode ser alto. Uma camponesa de 30 anos, de sobrenome Kong, é outra mãe de aluguel da Baby Plan. Agora no sexto mês de gravidez, ela diz que as suas condições de vida são boas e que tem metas claras para o seu pagamento: planeja começar uma empresa de limpeza.

Ela recebeu uma dispensa especial para falar com o filho de quatro anos que está com sua mãe. "A princípio, ele me ligava e perguntava ‘Mãe, quando você vai voltar para casa?’", ela disse. "Ele ficava zangado, depois chorava", continuou, com a voz ficando cada vez mais fraca. "Agora, ele não quer falar comigo ao telefone".

Contribuiu Kiki Zhao

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