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Movimentar-se pode ajudar crianças

Estudo sobre crianças hiperativas descobriu que elas têm um melhor desempenho em testes quando podem movimentar as pernas à vontade

Hiperatividade parece ajudar no déficit de atenção | Karsten Moran/The New York Times
Hiperatividade parece ajudar no déficit de atenção (Foto: Karsten Moran/The New York Times)

Em vez de dizer à criança com problemas de atenção e hiperatividade para se sentar quietinha, talvez devêssemos encorajá-la a se mexer à vontade, segundo um novo estudo.

A hiperatividade é um dos principais sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade, ou TDAH.

No periódico Child Neuropsychology, Julie Schweitzer, professora de Psiquiatria e Ciências Comportamentais na Universidade da Califórnia, em Davis, e seus colegas publicaram recentemente os resultados de um estudo envolvendo 26 meninos e meninas entre 10 e 17 anos de idade que receberam diagnóstico de TDAH.

Outro grupo de 18 crianças sem TDAH foi usado como controle.

Todas as crianças visitaram o laboratório e foram equipadas com um discreto monitor de atividade no tornozelo que poderia controlar quantas vezes e com que intensidade as crianças movimentavam a perna, o que é um bom marcador de atividade.

Em seguida, os cientistas pediram que as crianças completassem um teste de atenção e controle cognitivo simples no computador, durante o qual eles tiveram que observar a direção para qual uma seta apontava e apertar uma tecla mostrando essa direção. A seta em questão estava cercada por outras, que às vezes apontaram na mesma direção da seta primária, e às vezes não.

Para o teste, pediram que as crianças respondessem o mais rapidamente possível, apertando a tecla adequada assim que as setas aparecessem na tela. Então, repetiram o mesmo teste mais de 200 vezes em uma sucessão rápida. Depois disso, os cientistas compararam a precisão das respostas das crianças com os dados dos monitores atividade.

Eles descobriram que quanto mais intensamente as crianças com TDAH se balançavam e se mexiam — quanto mais movimentavam suas pernas — mais precisas eram suas respostas no teste. Quando essas crianças estavam relativamente paradas, houve maior probabilidade de suas respostas estarem erradas, indicando que tiveram problemas em se concentrar.

Entretanto, a movimentação não causou nenhuma mudança perceptível no desempenho das crianças sem TDAH.

Esses resultados sugerem que a hiperatividade é fundamentalmente benéfica para crianças com déficit de atenção, disse Schweitzer, e que ela provavelmente se desenvolveu para ajudá-los a lidar com sua incapacidade de concentração.

“A hiperatividade parece ser um mecanismo de autorregulação cognitiva”, ela disse.

Schweitzer especula que esse movimento constante provavelmente aumenta a excitação mental nas crianças com TDAH tanto quanto drogas estimulantes.

Para pais e professores de crianças hiperativas, Schweitzer sugeriu colocar fitas elásticas debaixo das mesas para que elas possam puxar e brincar de uma forma que não incomode as outras crianças. Ou usar bolas de ioga como cadeiras, assim elas poderim saltar. Até mesmo incentivá-las a ficar em pé mais vezes pode ajudar.

“Sei que é difícil acomodar a hiperatividade”, disse Schweitzer, mas isso realmente pode ajudar as crianças cujos movimentos parecem contribuir para cérebros mais calmos, mais focados.

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