Um terminal da Bloomberg como esse na bolsa de valores de Nova York custa US$21.000 por ano a seus usuários. | Brendan McDermid/Reuters
Um terminal da Bloomberg como esse na bolsa de valores de Nova York custa US$21.000 por ano a seus usuários.| Foto: Brendan McDermid/Reuters

Por quase três décadas, as telas negras com letras cor de laranja do terminal da Bloomberg eram onipresentes em pregões de Wall Street e nas mesas de executivos, mantendo o fluxo de informação e comunicação.

Ao reunir todo o mundo das finanças em um só lugar, esses terminais de US$21 mil por ano geraram bilhões de dólares para a Bloomberg L.P., bancando quase que sozinhos as ambições jornalísticas da empresa, além da fortuna, da carreira política e da filantropia de seu fundador, Michael R. Bloomberg.

Agora, o terminal da Bloomberg é alvo de novos concorrentes em um momento em que Wall Street tenta agressivamente cortar seus gastos.

Uma startup chamada Symphony, criada pela Goldman Sachs e apoiada por grandes bancos, introduziu uma alternativa ao que muitos dizem ser a parte mais valiosa do terminal da Bloomberg — o programa de bate-papo.

Na Goldman, mais da metade das pessoas que tem esse terminal o utiliza basicamente para bate-papo e outras funções simples, de acordo com pessoas entrevistadas sobre o assunto.

A Money.Net, uma startup montada por um antigo executivo da Bloomberg, desafia abertamente o gigante e está roubando seus clientes.

David G. Bullock, ex-executivo da Lehman Brothers e que agora dirige sua própria empresa de consultoria financeira, diz que a Money.Net cobra um vigésimo do valor de um terminal da Bloomberg.

“Todo mundo com quem converso diz, ‘Ei, preciso experimentar porque não gosto de pagar US$25 mil pelo terminal”, disse Bullock, proprietário da Arque Advisors. Um porta-voz da Bloomberg disse que a empresa não faria nenhum comentário sobre seus concorrentes.

Os terminais geram 75 por cento das receitas da Bloomberg.

Todos os prestadores de serviços para Wall Street estão extraordinariamente vulneráveis no momento. O setor financeiro está no meio de uma corrida agressiva de redução de custos, ao mesmo tempo em que tem que lidar com novos regulamentos e alterações dos mercados. Um contrato com a Bloomberg pode chegar a mais de US$100 milhões em instituições maiores.

O número de terminais da Bloomberg cresceu apenas 1,9 por cento, chegando a 325 mil no ano passado. Nos 10 anos anteriores à crise financeira, seu número crescia a uma taxa média de 12 por cento.

A Bloomberg ganhou destaque na década de 90, substituindo com agilidade as primeiras empresas de dados em Wall Street — como a Quotron e a Telerate — que não conseguiram se adaptar suficientemente rápido para proteger sua posição dominante no mercado.

Morgan Downey, o ex-executivo da Bloomberg que montou a Money.Net, disse que decidiu deixar a Bloomberg em final 2013 e criar um competidor de baixo custo depois de ver o quão lentamente a empresa se atualizava.

“Eles ficaram gordos e preguiçosos”, afirmou.

Bullock, um dos novos clientes de Downey, disse que seus colegas criticam a relutância da Bloomberg em negociar o preço dos terminais, mesmo com empresas que contratam centenas deles.

A Bloomberg era capaz de manter seus preços porque seus terminais não tinham concorrentes significativos além da Thomson Reuters.

A Thomson Reuters fez várias tentativas de renovar seu terminal para assumir a posição dominante da Bloomberg e teve sucesso em alguns nichos, como o mercado de câmbio estrangeiro. Mas seus terminais não são muito mais baratos.

Outros concorrentes, como a Markit e a FactSet, são mais baratos, mas tentaram desafiar a Bloomberg somente em segmentos menores do mercado.

Downey disse que os bancos estavam insatisfeitos com os preços da Bloomberg há muito tempo, mas só se dedicaram mais à procura de alternativas quando a Bloomberg foi acusada, em 2013, de permitir que seus jornalistas espionassem detalhes pessoais dos clientes.

Até agora, a Bloomberg tem sido um alvo difícil para adversários por causa de sua ampla gama de ofertas. Seus terminais dão acesso não só aos dados de mercado em todo o mundo, mas também a documentos sobre quase todos os tipos de ações e títulos existentes, plataformas de comércio que permitem que os clientes comprem e vendam valores mobiliários, programas de mensagens e notícias.

Downey disse que seria mais fácil enfrentar a Bloomberg agora do que no passado, por causa da popularidade crescente do software aberto e do reduzido valor da computação em nuvem.

Hamza Khan, chefe da estratégia de commodities no Banco ING em Amsterdã, disse que mesmo que a Money.Net não deslanche, para a sua geração, o prestígio do terminal caro foi perdendo seu encanto.

Khan comentou sobre a Bloomberg e a Thomson Reuters: “Eles são como o avô dos Simpson: estavam com tudo, mas aí a coisa mudou”.

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