Quando Laurell Boyers, de 34 anos, e seu marido, Federico Bastiani, de 37, foram morar juntos em Bolonha em 2012, não conheciam nenhum de seus vizinhos. Havia um sentimento de solidão.

“Todos os meu amigos em casa tinham bebês, encontros, pessoas para conversar, e eu me sentia muito abandonada”, disse Laurell, que veio da África do Sul. “Não tínhamos família nem amigos aqui. Conhecíamos algumas pessoas ocasionalmente, mas nenhuma na mesma situação.”

Então Bastiani resolveu espalhar um folheto pela rua, a Via Fondazza, explicando que havia criado um grupo fechado no Facebook para as pessoas que moravam lá. Ele queria fazer novos amigos.

Em três ou quatro dias, o grupo tinha cerca de 20 seguidores. Quase dois anos depois, segundo os moradores, andar pela Via Fondazza não se parece mais com passear em um bairro de cidade grande. Pelo contrário, é mais como explorar uma cidadezinha, onde todos se conhecem. O grupo agora tem 1.100 membros.

“Agora sou obrigada a falar com todos, quando saio de casa. É reconfortante e também cansativo às vezes. Você tem que tomar cuidado com o que pergunta”, disse Laurell brincando.

A ideia, a primeira “rua social” da Itália, foi um sucesso tão grande que acabou se espalhando além de Bolonha e dos limites estreitos da Via Fondazza. Há 393 ruas sociais na Europa, Brasil e Nova Zelândia, inspiradas na ideia de Bastiani, segundo o site Social Street Italia, que foi criado fora do grupo de Facebook para ajudar outros a replicarem o projeto.

Bolonha, uma cidade de médio porte no norte, é conhecida por sua política progressista e suas cooperativas. É onde se encontra a que é considerada a mais antiga universidade italiana, e tem uma mistura vibrante de jovens e residentes de longa data, conhecidos pelo seu senso de comunidade.

Nas grandes cidades, os vizinhos normalmente são fechados. Mas hoje, os moradores da Via Fondazza ajudam uns aos outros, consertando aparelhos, fazendo favores ou recarregando baterias de carro. Eles trocam passagens de trem entre si e organizam festas.

Cerca de metade dos moradores da Via Fondazza pertence ao grupo do Facebook. Aqueles que não usam a internet são convidados para eventos por meio de folhetos ou do boca a boca.

“Notei que as pessoas a princípio achavam que precisariam pagar” pela ajuda de outros, Bastiani disse, referindo-se a experiência de uma mulher de 80 anos de idade que precisava de alguém para ir buscar alguns mantimentos para ela, ou um morador que procurou ajuda para montar um móvel.

“Mas esse não é o ponto. O melhor de tudo isso é que existe uma quebra de todos os esquemas. Moramos perto um do outro, e nos ajudamos. Só isso.”

O impacto da experiência surpreendeu a quase todos.

Isso tudo mudou “a caminhada pela Via Fondazza”, disse Francesca D’Alonzo, formada em Direito, de 27 anos, que entrou no grupo em 2013. “Cumprimentamos uns aos outros, conversamos, podemos falar sobre nossas vidas, sentimos que pertencemos a esse lugar agora”, ela disse.

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