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Prêmio

Nobel vai para químico que descobriu cristal que “não devia existir”

Os quasicristais, revelados por israelense, prometem grande aplicabilidade, como lâminas, agulhas cirúrgicas, frigideiras e motores a diesel

O israelense Daniel Shechtman, vencedor do Nobel de Química, trabalha no Instituto de Tecnologia de Haifa, em Israel | Jack Guez/AFP
O israelense Daniel Shechtman, vencedor do Nobel de Química, trabalha no Instituto de Tecnologia de Haifa, em Israel (Foto: Jack Guez/AFP)
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Os meticulosos cadernos de laboratório do israelense Daniel Shechtman permitem datar com precisão a descoberta que acaba de render a ele o Prêmio Nobel em Química deste ano.

Foi na manhã de 8 de abril de 1982 que ele usou uma série de pontos de interrogação para mar­­car sua surpresa com o que estava vendo no microscópio: um cristal que não deveria existir.

Para o comitê do Nobel, ele "modificou a concepção fundamental do que é um objeto sólido", mostrando que os átomos podem se organizar em estruturas de grande complexidade, que não se repetem. Por isso, embora o achado ainda tenha pouca aplicação prática, ele foi considerado digno do prêmio.

Para Nivaldo Speziali, presidente da Sociedade Brasileira de Cristalografia, o ganhador mostrou "que a periodicidade estrutural [a repetição regular das mesmas estruturas] não é necessária na definição de cristal."

Há exemplos de materiais artificiais e naturais com os quasicristais (como são chamados) do israelense. A arte medieval bolou estruturas parecidas (leia texto ao lado).

Teimosia

Shechtman precisou de muita persistência, pois a grande maioria dos cientistas duvidou de seus achados. Um deles era Linus Pauling, ganhador do Nobel em 1954, conta Speziali. Por conta das reações negativas, o israelense chegou a ser expulso do laboratório onde trabalhava nos EUA. Hoje ele está no Instituto de Tecnologia de Israel, em Haifa.

Em entrevista dada ao comitê do Nobel, Shechtman disse que sua descoberta lhe ensinou que "o bom cientista é humilde a ponto de estar disposto a considerar novidades inesperadas e violações de leis estabelecidas".

Os quasicristais descobertos são, em sua maioria, criados artificialmente quando uma liga metálica derretida é esfriada rapidamente em uma superfície giratória.

Sua estrutura tridimensional dificulta a propagação de ondas, o que define suas características peculiares. Eles são maus condutores de calor e de eletricidade, têm baixa fricção e aderência, mas são altamente resistentes e, por isso, prometem grande aplicabilidade.

Seriam bons para aço reforçado, lâminas e agulhas cirúrgicas, frigideiras e motores a diesel. Mas poucas aplicações concretas já foram desenvolvidas devido ao alto custo de produção deles.

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