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IÊMEN

Nova batalha da guerra do Iêmen pode agravar a pior crise humanitária do mundo

Nesta quarta-feira (13) uma coalizão liderada pela Arábia Saudita lançou um ataque contra a cidade-porto de Hodeida, na tentativa de retomar o local que está em poder dos rebeldes houthi. Agências de ajuda humanitária afirmam que milhares de pessoas estão em risco

  • Da Redação
Um combatente das froças iemenitas, apoiadas pela Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, patrulha as ruas do centro de Aden em 11 de junho de 2018 | SALEH AL-OBEIDIAFP
Um combatente das froças iemenitas, apoiadas pela Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, patrulha as ruas do centro de Aden em 11 de junho de 2018 SALEH AL-OBEIDIAFP
 
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Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita lançou um ataque contra a cidade-porto de Hodeida, no Iêmen, nesta quarta-feira (13), colocando milhares de pessoas em risco. Esta já é a maior batalha nos três anos da guerra do Iêmen, travada pelo governo exilado do Iêmen, Arábia Saudita e Emirados Árabes contra os rebeldes houthi, que são apoiados pelo Irã.

Segundo agências de ajuda humanitária, o conflito inciado hoje poderá empurrar o país mais pobre do mundo árabe para uma completa catástrofe.

Na semana passada, a ONU (Organização das Nações Unidas) havia alertado que, no pior dos cenários, aproximadamente 250 mil pessoas poderiam ser mortas em uma ofensiva contra a cidade portuária. Os diplomatas da organização, apoiados pelos Estados Unidos e Reino Unido, estavam pressionando os Emirados Árabes e a Arábia Saudita a adiar o ataque, mas os países do Golfo alegaram que a ofensiva não seria tão sangrenta quanto as agências de ajuda humanitária haviam informado.

Hodeida é um reduto rebelde houthi e também a porta de entrada de suprimentos vitais para a população do país. De acordo com a ONU, cerca de 70% da ajuda humanitária estrangeira que chega até o Iêmen passa pela cidade.

Leia também: A pior crise humanitária do mundo pode piorar. E não é na Venezuela

“Sete milhões de pessoas dependem completamente de comida e assistência vindas de outras organizações humanitárias, então Hodeida é absolutamente fundamental para a preservação da vida”, disse o chefe humanitário da ONU, Mark Lowcock, em uma entrevista coletiva na segunda-feira (11).

“Se por algum período, Hodeida não operar efetivamente, as conseqüências em termos humanitários seriam catastróficas”, acrescentou.

Entretanto, o governo exilado do Iêmen, reconhecido internacionalmente e cujo presidente é Abdrabbuh Mansour Hadi, alega que o porto é usado para contrabando de armamento.

O ataque ocorre após o término do prazo estabelecido pelos Emirados Árabes Unidos para que os houthis entregassem o porto que está sob seu controle há anos.

A pior batalha

Na madrugada desta quarta-feira (13), vídeos postados nas redes sociais mostravam comboios de veículos aparentemente seguindo em direção à Hodeida. Tiros podiam ser claramente ouvidos ao fundo.

Mais tarde, a emissora saudita Al Arabiya informou que a “liberação” de Hodeida havia começado com um ataque de larga escala por terra, com suporte aéreo e naval. 

O General do Exército Nacional do Iêmen, Mohsen Al Khosrof, disse à CNN que as forças apoiadas pela coalizão liderada pela Arábia Saudita lançaram ataques contra o aeroporto da cidade e outros bairros na parte sudeste da cidade, com apoio da Força Aérea e da Marinha. Aviões e navios de guerra da coalizão realizaram ataques contra posições rebeldes em toda a cidade.

O governo exilado comunicou que "esgotou todos os meios pacíficos e políticos para remover a milícia Houthi do porto de Hudaida" e que “a libertação do porto de Hudaida é um ponto de inflexão em nossa luta para recapturar o Iêmen das milícias que o sequestraram para servir a agendas estrangeiras".

“A libertação do porto é o início da queda da milícia Houthi, garantirá o transporte marítimo no estreito de Bab al-Mandab e cortará a influência do Irã, que há muito tempo se infiltrou no Iêmen com armas que derramam sangue precioso do Iêmen”.

Mais de 10 mil pessoas já morreram na guerra civil do Iêmen desde 2015 e cerca de dois milhões ficaram desabrigados.

Conflito

No Iêmen, onde 8 milhões de pessoas enfrentam a fome e a pior epidemia de cólera da história ganha mais força, o principal porto do país tornou-se alvo de uma nova ofensiva na guerra civil. 

Forças iemenitas apoiadas pelos Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita estão tentando isolar e capturar Hodeida, uma cidade de 600 mil habitantes. Os sauditas e seus aliados intervieram no Iêmen há três anos com o objetivo de combater os rebeldes houthis, que tinham capturado a capital, Sanaa.

Leia também: Guerra transforma crianças em soldados e esposas

A campanha militar tornou-se um atoleiro para os sauditas e seus aliados, que já mataram milhares em bombardeios, mas, que até agora, falharam em recuperar boa parte do território. O sistema de saúde e o fornecimento de alimentos entraram em colapso, fazendo com que milhões de pessoas passassem a depender de ajuda internacional.

A coalizão liderada pela Arábia Saudita foi criticada por seus ataques aéreos que mataram civis. Enquanto isso, os EUA e países do Ocidente dizem que o Irã forneceu aos armas aos Houthi, de fuzis de assalto até mísseis balísticos, que já foram usados para ataques contra o território da Arábia Saudita.

Houthi

Os houthis, que tomaram o controle de parte do país, são um grupo rebelde xiita apoiado pelo Irã que se diz discriminado pelo governo e busca o poder. O nome do grupo faz referência a Hussein Badreddin al-Houthi, morto em 2004 durante enfrentamentos na busca por maior autonomia para a região de Saada. O governo acusa-os de tentar desestabilizar o país e instituir uma lei religiosa xiita.

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