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A colisão entre dois trens de alta velocidade que matou 69 pessoas e deixou outras dezenas feridas perto da estação de Urda, na província de Toledo, está pressionando o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, às vésperas das eleições gerais no país europeu, que estavam previstas para 2027 e foram antecipadas para 29 de novembro.
A legenda de Sánchez, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), tem aparecido nas pesquisas atrás do conservador Partido Popular (PP).
A tragédia em Toledo foi o segundo grande acidente ferroviário na Espanha este ano: em janeiro, 46 pessoas morreram quando um trem descarrilou e colidiu com a lateral de outra composição que seguia na direção oposta, na província de Córdoba, no sul da Espanha.
No caso de Toledo, o sistema de segurança LZB — que atualmente só opera na linha de alta velocidade Madri-Sevilha, visto que nas demais já foi instalado um sistema mais moderno, o ERTMS — sofreu uma falha, segundo informações da agência EFE.
Na sequência, o centro de controle da operadora Administrador de Infraestruturas Ferroviárias (Adif) decidiu retomar a circulação, com um trem parado e um sinal vermelho na entrada da estação de Urda.
A falha no sistema provocou a parada de, pelo menos, seis trens. Minutos depois, foi dada autorização ao maquinista para retomar a marcha do trem AVE, que percorreu cerca de 25 quilômetros, até colidir com um trem da empresa Iryo que estava parado na via.
A decisão do centro de controle — “claramente errônea” — de ordenar que o trem AVE da estatal Renfe retomasse a marcha, mesmo com o trem da Iryo parado mais à frente, é “inexplicável”, afirmou o ministro dos Transportes, Óscar Puente, em declaração à imprensa.
“Essa foi a decisão tomada pelo centro de controle e é a causa do acidente”, disse o ministro.
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Após os comentários de Puente, a Central Sindical Independente e de Funcionários (CSIF) pediu a renúncia do ministro dos Transportes. “Exigimos que o governo respeite a investigação e a presunção de inocência do responsável pelo tráfego na Adif”, afirmou o sindicato.
O partido de direita nacionalista Vox, terceiro colocado nas pesquisas para a eleição espanhola, registrou uma queixa-crime contra os diretores da Adif por supostos crimes de homicídio negligente e lesões negligentes devido ao acidente em Urda.
Segundo informações do site Demócrata, o presidente do Vox, Santiago Abascal, disse em um comício em Valladolid que as tragédias no sistema ferroviário da Espanha são resultado da corrupção no governo Sánchez.
“Uma quadrilha criminosa que decidiu que o dinheiro dos espanhóis podia ser gasto em acompanhantes em vez de arrumar as ferrovias”, disse Abascal. “A corrupção mata.”
O porta-voz nacional do PP, Borja Sémper, afirmou que a tragédia em Toledo “transcende” Puente e alegou uma “responsabilidade superior”, em referência indireta a Sánchez.
“Os espanhóis merecem uma investigação rigorosa, que não haja mais manobras e que isso acabe já de uma vez por todas”, disse Sémper, em entrevista à rádio Onda Cero.
Sánchez, que manifestou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição brasileira, prometeu uma investigação rigorosa e admitiu que duas grandes tragédias em um ano indicam que algo está errado no sistema ferroviário espanhol.
“É evidente que precisamos reforçar a segurança do nosso serviço ferroviário para restabelecer a confiança em nossa rede de alta velocidade”, declarou o premiê socialista. “Não é aceitável que um país como a Espanha enfrente dois acidentes com trens de alta velocidade no mesmo ano.”






