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Ex-premiê húngaro

Orbán na ONU? Trump busca apoio de Rússia e China para emplacar aliado na chefia das Nações Unidas

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Trump articula candidatura de Viktor Orbán para chefiar a ONU e busca apoio de Rússia e China. (Foto: YOAN VALAT/EFE/POOL)

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O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está articulando uma possível candidatura do ex-primeiro-ministro da Hungria Viktor Orbán ao cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa prevê a formação de uma aliança com a Rússia e a China para tentar colocar o político conservador no comando da organização a partir de 2027.

A informação foi divulgada neste domingo (25) pelo jornal americano The Wall Street Journal, que afirma ter ouvido fontes de três países envolvidas nas conversas. Segundo a publicação, autoridades americanas já procuraram Orbán para apresentar a proposta e discutiram seu nome com representantes de Moscou e Pequim. Os dois regimes teriam demonstrado “receptividade” à ideia, mas ainda não anunciaram apoio oficial.

A articulação ganhou força depois que o ex-premiê perdeu as eleições parlamentares de abril na Hungria, encerrando seus 16 anos no poder. Durante seu governo, Orbán adotou políticas rígidas contra a imigração ilegal, entrou em conflito com a União Europeia (UE) e manteve relações próximas com Trump, com o ditador russo, Vladimir Putin, e com o ditador chinês, Xi Jinping.

Segundo o Wall Street Journal, o governo americano considera que essa proximidade poderia facilitar a formação de uma candidatura apoiada simultaneamente pelas três potências.

"Quando os Estados Unidos, a Rússia e a China querem a mesma coisa no Conselho de Segurança da ONU, geralmente conseguem", afirmaram ao jornal autoridades americanas e de outro país envolvidas nas discussões.

Um funcionário do Departamento de Estado americano estimou, segundo o jornal americano, que Orbán poderia obter inicialmente oito dos 15 votos do Conselho de Segurança, com a possibilidade de chegar a dez. A indicação para a chefia da ONU precisa receber pelo menos nove votos favoráveis no Conselho e não pode ser vetada por nenhum dos cinco membros permanentes do órgão.

Além de Estados Unidos, Rússia e China, França e Reino Unido possuem poder de veto e poderiam impedir a escolha do líder conservador húngaro.

Orbán teria demonstrado interesse na proposta, informou o WSJ, mas condicionou sua entrada na disputa à existência de perspectivas concretas de vitória. Segundo as fontes ouvidas pelo jornal, Trump e seu vice, J.D. Vance, estariam dispostos a apoiá-lo publicamente nessa questão, embora um eventual anúncio de seu nome para o cargo possa ficar para depois das eleições legislativas americanas de 3 de novembro.

Uma autoridade americana descreveu o ex-premiê como "o candidato conservador dos sonhos do movimento MAGA [Make America Great Again, ou ‘Faça a América Grande Novamente]", em referência ao movimento político americano que sustenta o governo Trump.

Rússia reage e europeus criticam possível candidatura

Nesta segunda-feira (26), o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Aleksandr Alimov, afirmou à agência Interfax que a candidatura de Orbán para a chefia da ONU ainda não foi discutida formalmente no Conselho de Segurança.

"Nós também lemos sobre isso. Por enquanto, não há discussão sobre a candidatura de Orbán no Conselho de Segurança", declarou o diplomata.

Alimov explicou que Moscou respeita o princípio informal de alternância geográfica na escolha do secretário-geral. Segundo ele, a Rússia considera que a próxima liderança deveria ser ocupada por um representante da América Latina ou do Caribe.

"Se as possibilidades de selecionar candidatos dessa região se esgotarem, então veremos em que direção avançar", acrescentou.

A possibilidade de Orbán assumir o comando da ONU provocou resistência de governos europeus. O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, afirmou que não prevê apoio de seu país à candidatura do ex-premiê húngaro.

Na Ucrânia, o chanceler Andrii Sybiha ironizou a proposta e criticou o histórico de Orbán de bloquear decisões da União Europeia, especialmente aquelas relacionadas à guerra contra a Rússia.

"Tenho certeza de que Viktor Orbán, como secretário-geral da ONU, faria bom uso das habilidades de veto e chantagem que aperfeiçoou ao longo de anos obstruindo importantes decisões da União Europeia", escreveu Sybiha em sua conta na rede social X.

A sucessão na ONU ocorre porque o segundo mandato do atual secretário-geral, o português António Guterres, termina em 31 de dezembro. A escolha do substituto será feita pela Assembleia Geral, após a recomendação do candidato feita pelo Conselho de Segurança.

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