
O Papa Leão XIV afirmou que a primeira tarefa que os bispos devem colocar antes de qualquer outra responsabilidade é "permanecer com Jesus", porque, enfatizou, "somos bispos, mas antes de tudo somos discípulos". "Para falar sobre ele, precisamos estar com ele; para conduzir seu povo, devemos permitir, todos os dias, sermos conduzidos por ele. Entre as muitas coisas que vocês serão chamados a fazer como bispos, esta é a mais importante", explicou.
Na quinta-feira, 10 de setembro, o Santo Padre recebeu no Vaticano 147 bispos de cinco continentes que participaram de cursos de formação em Roma destinados a fortalecer a comunhão eclesial e fornecer ferramentas para o exercício de seu ministério. Os participantes do programa deste ano vieram de numerosos países da África, Ásia, Oceania e América Latina, incluindo Argélia, Bangladesh, Camarões, Colômbia, Costa do Marfim, Etiópia, Filipinas, Gana, Honduras, Índia, Indonésia, Quênia, Madagascar, Mali, Mianmar, Namíbia, Papua-Nova Guiné, Peru, República Centro-Africana, Senegal, Seychelles, Ilhas Salomão, Sri Lanka, África do Sul, Vietnã, Zimbábue, Quirguistão e Tailândia.
"Juntos vocês ouviram, rezaram, celebraram a Eucaristia e compartilharam as esperanças e sonhos que carregam em seus corações pelas Igrejas que o Senhor acabou de confiar aos seus cuidados pastorais. Tudo isso os ajudará a lembrar algo muito simples e muito precioso: nenhum bispo caminha sozinho", disse o papa.
Durante seu discurso, Leão XIV compartilhou várias reflexões sobre o tema do encontro, "Bispos, Servos da Comunhão na Igreja e no Mundo de Hoje".
O papa destacou como segundo aspecto fundamental a necessidade de os bispos terem o "coração de Jesus, o Bom Pastor, um coração completamente voltado para o Pai e, precisamente por isso, totalmente entregue aos seus irmãos e irmãs". "O bispo é um homem que aprende a cada dia a amar seu povo mais profundamente: a conhecer as alegrias e tristezas de seu povo, a compartilhar seus sonhos e a se alegrar com o crescimento de suas comunidades", explicou.
A esse respeito, ele confiou-lhes a tarefa de aprender os nomes das pessoas que vivem em suas dioceses. "Aprendam seus nomes, ouçam suas histórias, entrem em suas casas sempre que possível e rezem com eles. Especialmente nas Igrejas jovens, a presença do bispo muitas vezes fala muito antes mesmo de suas palavras."
Segundo o papa, "uma visita, uma bênção, tempo dado a um padre, ouvir uma família, diálogo com um jovem: estes são pequenos gestos, mas podem permanecer no coração de uma pessoa por toda a vida".
Outra característica do bispo é o que a tradição chama de "sollicitudo pastoralis" — isto é, solicitude ou preocupação pastoral. "Isto é próprio da paternidade episcopal: ter um coração grande o suficiente para abrir espaço para todos, carregar seus filhos dentro de você e apresentá-los todos os dias ao Senhor em oração", enfatizou.
O papa também convidou os prelados a terem cuidado especial com seus padres: "A esse respeito, queridos irmãos, exorto-os a amar seus padres. Que cada um encontre em vocês um pai e um irmão. Ouçam-nos, encorajem-nos, rezem por eles, alegrem-se com o bem que realizam e acompanhem-nos com confiança em seu ministério. Deem atenção particular àqueles que são idosos e doentes. Deixem-nos sentir que são preciosos, que a Igreja é grata a eles e que o bispo não os esquece. Às vezes, um telefonema, uma visita ou uma palavra afetuosa de vocês é suficiente."
O Santo Padre também recordou outra dimensão essencial do ministério episcopal, descrita por Santo Agostinho com uma bela expressão: "amoris officium" — isto é, um serviço de amor. "Nossa pregação é um ato de amor, assim como ouvir, rezar, discernir, o tempo dado aos outros e nossa presença são atos de amor. É a caridade pastoral, através da qual Cristo, o Pastor, alcança as pessoas que ele ama através de nossa pobre humanidade", disse.
Leão XIV observou que a humanidade está vivendo uma era marcada por mudanças rápidas. "Desenvolvimentos nas tecnologias de comunicação e inteligência artificial abriram possibilidades que, até apenas alguns anos atrás, dificilmente poderíamos ter imaginado. No entanto, certamente não podem libertar a humanidade do pecado e de suas consequências; as crises pelas quais nosso mundo está passando demonstram isso tragicamente", disse.
Neste contexto, ele recordou que a Igreja celebrou o Jubileu da Esperança no ano passado. "Dentro de um cenário complexo e, em alguns aspectos, preocupante como o presente, a Igreja celebrou no ano passado o Jubileu da Esperança. Foi porque ela vive separada do mundo? Pelo contrário, é porque, através de Cristo crucificado e ressuscitado, ela é enviada para proclamar o Evangelho da salvação a todos. E nós bispos somos os primeiros destinatários deste mandato", disse.
O papa também se referiu à sua encíclica Magnifica Humanitas, que, segundo ele, pretendia oferecer "uma visão e um método para enfrentar o grande desafio de salvaguardar o que é humano na era da inteligência artificial".
Finalmente, Leão XIV ressaltou a dimensão missionária do episcopado e disse que os bispos devem ter corações abertos a todos: "não apenas àqueles que frequentam nossas paróquias, mas também aos cristãos de outras denominações, crentes de outras religiões, pessoas que não professam nenhuma fé e todos os homens e mulheres de boa vontade". "Ele ouve e respeita a todos; aproxima-se de todos e sabe reconhecer o bem que está presente em cada coração humano", disse.
©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Pope to new bishops: The most important mission is to ‘remain with Jesus’ https://www.ewtnnews.com/vatican/pope-to-new-bishops-the-most-important-mission-is-to-remain-with-jesus



