
Os pasquitaneses desafiaram neste sábado (11) os talibãs e foram em bom número às urnas, apesar da ameaça de morte insurgente contra os que participassem das eleições gerais realizadas no país.
Longas filas foram formadas durante o dia todo em frente aos colégios eleitorais nas principais cidades do Paquistão, onde o terrorismo é endêmico, mas a violência foi de baixa intensidade e não fez descarrilhar o processo de votação.
As autoridades informaram, durante o anoitecer, que 13 pessoas morreram em atentados cujo saldo mortal não superou o contabilizado diariamente em um país onde em apenas um década os ataques de cunho político deixaram mais de 40 mil mortos.
Próxima à fronteira com o Afeganistão e epicentro de comunidade local de etnia pashtun - majoritária no país viznho e à qual pertecem os talibãs de ambos os lados da divisa -, Peshawar é uma das cidades mais inseguras do Paquistão.
Mas o ambiente de relativa normalidade eleitoral não diferiu da tônica geral registrada no resto do país.
Um policial e oito civis ficaram feridos na pior ação armada de hoje e que teve como alvo um colégio eleitoral masculino -no Paquistão os gêneros votam separadamente.
"Não temos medo. Após a explosão, nós fomos embora mas pouco a pouco voltamos", disse à Agência Efe Waheed Ullah Khan, que se dispunha a votar e que explicou que a única mudança desde a explosão é que o povo se alinhava no lado oposto ao que aconteceu a deflagração.
"Os talibãs são nosso maior problema, mas vamos resolver por meios militares e a negociação", afirmou outro eleitor, Ibrar Khan, que assegurou que os insurgentes mataram há três meses seu irmão Inram em uma explosão em um bazar local.
O capitão de polícia Ijaz Khan, a cargo da segurança de outro centro de votação, habilitado em uma escola para cegos do leste da cidade, explicou que "tudo está estupendamente bem e que não houve nenhum incidente".
"Veio muita gente porque não temos medo algum aos talibãs e tudo se desenvolve com normalidade", disse.
As autoridades confiam em que a média de afluência às urnas supere 50% - seis pontos a mais do que há cinco anos-, mas preveem que seja menor entre as mulheres, cuja participação eleitoral continua sendo uma das principais questões pendentes.
Além disso, seguem sofrendo um acusado déficit educativo e estão imersas no obscurantismo em um país dominado desde sempre pelos homens.
Assembleias tribais e grupos políticos da província da qual Peshawar é capital, Khiber Pakhtunkhwa, decretaram a proibição do sufrágio feminino, o que impediu que mulheres de várias aldeias de distritos da área exercessem seu direito ao voto.
Votação suspensa
Em um colégio eleitoral feminino de Hazane Pein, um bairro popular da capital provincial, a votação foi suspensa por algumas horas depois que foram apresentadas denúncias de que um grupo de mulheres tinha ido ali para depositar o voto de forma ilegal.
Segundo um observador local, Shahaf Uddin, a situação complicou porque a apresentar uma dotação policial para evacuá-las, as mulheres se negaram a obedecer por se tratar de agentes masculinos, e só se retiraram depois que policiais femininas chegaram ao local.
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