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DIPLOMACIA

Paquistão ameaça os EUA e diz: “Acabou a confiança”

Premiê apresentou suas críticas à revista Time, enquanto embaixador americano ouviu queixa formal pela invasão de território

Simpatizantes do líder da oposição paquistanesa, Nawaz Sharif, protestam contra a invasão dos EUA que resultou na morte de Bin Laden | Aamir Qreshi/AFP
Simpatizantes do líder da oposição paquistanesa, Nawaz Sharif, protestam contra a invasão dos EUA que resultou na morte de Bin Laden (Foto: Aamir Qreshi/AFP)

Onze dias após o ataque americano que matou Osama bin Laden em seu território, o Paquistão elevou o tom diplomático contra os Estados Unidos.

Seu premiê disse que a cooperação com Washington pode ser reavaliada exceto que haja passos dos EUA para "ganhar os paquistaneses", e que "acabou a confiança’’ entre os serviços se­­cretos dos dois países.

Yusuf Raza Gilani escolheu a influente revista americana Time para dar o recado. Afirmou que "se a opinião pública está contra você [os EUA], então eu não posso resistir e ficar com você".

E deu a dica do que pode fazer: aproximar-se da vizinha gigante China ("Vamos cruzar essa ponte quando for a hora"), além de criticar a aproximação dos EUA com a rival histórica, a Índia.

A opinião pública no caso po­­de ser tanto do jornalista Muham­­mad Ghazi, educado em Londres, quanto o garçom que lhe servia chá ontem cedo em Islamabad, também batizado com o nome do profeta islâmico.

"Estamos de joelhos para os Estados Unidos. As Forças Ar­­ma­­das ou escondiam Bin Laden ou foram enganadas, eu não sei o que é pior", disse o garçom, secundado pelo jornalista.

Abbottabad, a cidade em que Bin Laden foi morto, sedia a principal academia militar do país. O ISI, o serviço secreto paquistanês, também tem sede próxima da ca­­sa.

A postura do premiê é uma resposta às fortes críticas externas ao papel paquistanês no caso. A oposição, liderada pelo ex-premiê Nawaz Sharif, capitaliza a opinião dos Muhammads e já embarcou numa campanha contra o governo de Asif Ali Zardari.

O presidente e Gilani são do Partido do Povo Paquistanês, da mulher assassinada de Zardari, Benazir Bhutto. Ambas as figuras têm peso importante e, em 2012, haverá eleições parlamentares.

Inevitável

O Paquistão chamou ontem o embaixador americano, Ca­­me­­ron Munter, para prestar queixas formais pela violação de seu território no ataque que matou Bin Laden. Munter foi alertado pelo chanceler Sal­­man Bashir de que não haveria tolerância a um novo incidente, no que ouviu um pedido de "desculpe, mas foi inevitável".

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