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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou neste domingo que, se os Estados Unidos atacarem o Irã por causa da polêmica sobre o programa nuclear iraniano, o preço do petróleo pode subir até a casa dos três dígitos.

Em visita a Londres depois da cúpula União Européia-América Latina, em Viena, no fim de semana, o presidente do quinto maior exportador de petróleo afirmou que Teerã não teria outra saída que não responder à ação americana, cortando a produção de petróleo.

- Se os Estados Unidos atacarem o Irã, o petróleo poderia chegar a 100 dólares o barril ou mais - declarou Chávez durante um encontro promovido pelo prefeito de Londres, de esquerda, Ken Livingstone. - A classe média inglesa teria que parar de usar os seus carros - afirmou.

- Se eles atacarem o Irã, os iranianos vão cortar o fornecimento de petróleo. Nós faríamos o mesmo se atacados - afirmou o presidente venezuelano a cerca de mil ativistas e sindicalistas britânicos.

- Mais ainda: o Irã disse que atacaria Israel, e eu sei que eles têm os meios para isso - completou.

Os Estados Unidos e a União Européia pressionam o Irã para que o país pare de enriquecer urânio. Teerã alega que busca energia nuclear para fins pacíficos. A Casa Branca tem se recusado a descartar uma ação militar contra o país, embora persiga uma solução diplomática para o impasse.

Nos últimos anos, o preço do petróleo disparou para cerca de 70 dólares o barril, enchendo os cofres venezuelanos e alimentado a chamada revolução bolivariana de Chávez.

- Se eles atacarem o Irã, acho que vai ser muito pior do que a situação no Iraque - disse o presidente, que descreveu o Iraque como "o Vietnã do século 21".

Chávez foi recebido em Londres por Livingstone, que abriu o encontro com uma acusação contra o presidente norte-americano, George W. Bush. Segundo o prefeito, Bush lidera um "regime gângster".

- Nós o saudamos, senhor presidente - disse Livingstone a Chávez. - Os londrinos estão com o senhor, não com as companhias de petróleo e com os oligarcas.

O presidente da Venezuela passará dois dias em Londres, quando encontrará diversas figuras da esquerda britânica. Ele não se reunirá o premiê Tony Blair, a quem criticou pela aliança com Washington.

Chávez foi festejado em Londres por simpatizantes. Centenas ficaram do lado de fora do salão em que discursou. A atmosfera estava mais para um show de rock do que para um evento político.

Jovens simpatizantes de Chávez vestiam-se nas cores da bandeira da Venezuela e gritavam o nome do presidente.

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