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O Parlamento da Grécia aprovou nesta quarta-feira as medidas de austeridade amplamente impopulares, apesar de protestos violentos, numa votação vital para assegurar que o país continue recebendo ajuda financeira internacional e evite uma moratória.

Os parlamentares aprovaram o pacote de corte de gastos, aumento de impostos e venda de ativos estatais por 155 votos a 138, numa vitória significativa para o primeiro-ministro George Papandreou.

"Precisamos evitar o colapso do país a qualquer custo. Agora não é a hora de recuar", disse Papandreou antes da votação.

A margem maior que a esperada do placar da votação sugere que o governo também deve conseguir avançar com as leis para implementar medidas orçamentárias e de privatização detalhadas na quinta-feira.

Fora do Parlamento, havia confrontos entre jovens com máscaras e a polícia, que lançou bombas de gás lacrimogêneo. Um grupo armado com paus e barras de aço atacou o Ministério das Finanças, quebrando janelas.

Com o país à beira da falência e a turbulência social crescendo, continua incerto se o governo poderá cumprir o apertado calendário imposto pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para implementar as medidas, mesmo com a aprovação do Parlamento.

Muitos economistas e investidores ainda esperam que a Grécia entre em default no médio prazo.

Apenas um deputado do partido do governo votou contra o plano e foi imediatamente expulso do PASOK.

Agora, o PASOK detém 154 cadeiras das 300 do Parlamento e contou com a ajuda da abstenção de um pequeno grupo de cinco deputados de centro-direita liderado pela ex-ministra das Relações Exteriores Dora Bakoyanis.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, principal contribuinte para o resgate da Grécia, foi a primeira a saudar o voto da Grécia sobre o pacote fiscal.

A decisão foi "brava, assim como necessária", disse Merkel em uma reunião sobre regulação financeira em Berlim, acrescentando: "Acho especialmente lamentável o fato de a oposição grega não apoiar o plano de reformas".

As expectativas sobre um voto positivo e progresso nas negociações entre bancos e governos da zona do euro sobre rolar a dívida grega impulsionaram o euro e o mercado acionário mundial.

Os rendimentos de bônus emitidos pelos países-membros mais fracos da zona do euro caíram em meio a expectativas de que Atenas aprovasse as medidas de autoridade. As principais bolsas europeias registraram ganho pelo terceiro dia seguido, lideradas por papéis do setor financeiro.

"Muito trabalho tem sido feito por trás das cortinas para garantir que as propostas sejam aprovadas, e o otimismo está se refletindo nos preços de ações", disse Graham Bishop, estrategista de equity na RBS.

"A aprovação do plano de austeridade certamente ajudará, mas isso não equivale a dizer que não haverá mais obstáculos. O próximo será a implementação das medidas e o governo será observado de perto nesse processo".

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