Washington O Pentágono divulgou sua maior lista até agora de estrangeiros suspeitos de terrorismo e que estão detidos na baía de Guantánamo, com os nomes e as nacionalidades de 558 presos que passaram por audiências naquela cadeia. O Departamento de Estado norte-americano divulgou a lista de 11 páginas em seu site no final da quarta-feira. A divulgação obedece à ordem judicial no processo movido pela agência de notícias Associated Press.
O maior número de presos na lista vem da Arábia Saudita, com 132. Depois aparecem o Afeganistão, com 125, e o Iêmen, com 107 (veja quadro). Os prisioneiros são de 40 países e da Cisjordânia. Somente 10 dos detentos foram acusados e nenhum dos julgamentos terminou ainda. A maior parte foi capturada no Afeganistão e o Pentágono acusou muitos de cumplicidade com a rede Al Qaeda ou com a milícia Taleban.
O Pentágono classifica os presos de "combatentes inimigos", negando a eles os direitos de prisioneiros garantidos por acordos internacionais de guerra. Ativistas de defesa dos direitos humanos condenam as prisões e a falta de direitos.
Investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) já pediram o fechamento da cadeia. Os EUA nunca haviam divulgado uma lista abrangente com nomes e nacionalidades dos prisioneiros de Guantánamo. O primeiro grupo de presos, algemados e mascarados, chegou ao local em 11 de janeiro de 2002. O Pentágono resistia a divulgar a informação, citando preocupações com segurança, como a possibilidade de manter grupos como a Al Qaeda sem saber quem está preso. Os EUA já haviam identificado alguns presos em documentos legais, e os nomes de centenas foram divulgados por parentes ou advogados.
A divulgação dos nomes detentos de Guantánamo pode fornecer a algumas famílias a primeira confirmação em quatro anos de que seus parentes estão presos na base militar em Cuba, informou a Cruz Vermelha Internacional.
Os presos de Guantánamo podem ter informado seu paradeiro diretamente em mensagens particulares enviadas pelo Comitê da Cruz Vermelha Internacional às famílias, mas é possível que alguns detentos tenham se recusado a utilizar o serviço deixando os parentes sem informação alguma, disse a porta-voz chefe da Cruz Vermelha, Antonella Notari. "Não sei de casos específicos mas, teoricamente, um prisioneiro não tem a obrigação de se corresponder com ninguém. Trata-se de uma escolha dele", disse Notari.
O serviço de mensagens particulares, contudo, tem sido popular entre os detentos de Guantánamo. A Cruz Vermelha já entregou mais de 20 mil mensagens entre os presos e suas famílias desde que a base naval começou a ser utilizada para abrigar os detentos em janeiro de 2002, segundo a porta-voz. A Cruz Vermelha, que é ordenada pela Convenção de Genebra para visitar prisioneiros de guerra, é a única agência que tem permissão dos EUA para visitar os presos e checar suas condições.







