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Venezuela

Liberdade após 23 anos: quem são os policiais que foram os presos políticos por mais tempo do chavismo

Manifestação em Caracas na segunda-feira (18) pela libertação dos presos políticos na Venezuela (Foto: Miguel Gutiérrez/EFE)

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A ONG Realidad Helicoide confirmou na noite de terça-feira (19) que três policiais da extinta Polícia Metropolitana de Caracas, Héctor Rovaín, Erasmo Bolívar e Luis Molina, foram libertados após 23 anos e um mês. Eles eram os presos políticos há mais tempo encarcerados pelo chavismo, regime que governa a Venezuela desde 1999.

Desde a captura do então ditador Nicolás Maduro numa operação militar dos EUA em janeiro, o regime da ditadora interina Delcy Rodríguez tem promovido um processo de libertação de presos políticos.

Porém, a Realidad Helicoide informou que a Venezuela ainda tem 500 presos políticos. “Nossa reivindicação por liberdade não cessará até que todos sejam libertados”, disse a ONG em post no X.

Luis Molina, Héctor Rovain e Erasmo Bolívar integravam os quadros da Polícia Metropolitana de Caracas e foram acusados de serem responsáveis pelo incidente conhecido como tiroteio na Puente Llaguno, em Caracas, ou Massacre de El Silencio, como é chamado por alguns veículos de comunicação venezuelanos.

Durante uma marcha em abril de 2002 em direção ao Palácio de Miraflores, sede do governo da Venezuela, no contexto da crise política em que uma ala militar tentou sem sucesso derrubar o então ditador Hugo Chávez, ocorreram confrontos que resultaram nas mortes de 19 pessoas.

Os três policiais se entregaram às autoridades em 19 de abril de 2003 e depois foram condenados a 30 anos de prisão, a pena máxima na Venezuela. Organizações de direitos humanos na Venezuela, como a ONG Foro Penal, alegaram que o julgamento teve irregularidades e foi politizado, e por isso o consideravam presos políticos.

No longo período em que ficaram detidos, os policiais tiveram vários problemas de saúde, segundo o site Efecto Cocuyo.

Erasmo Bolívar, que está com 50 anos de idade, sofre de dores de estômago, descolamento de retina e dificuldades de mobilidade decorrentes de uma cirurgia no joelho, segundo relatos da família e da Foro Penal.

Já Luis Molina, hoje com 57 anos, foi hospitalizado em maio de 2025 devido a uma peritonite e seus problemas de saúde fizeram com que interrompesse as atividades técnicas e de capacitação que ele realizava dentro da penitenciária, afirmaram familiares. Héctor Rovain também está com 57 anos de idade.

A Polícia Metropolitana de Caracas foi extinta em abril de 2011, quando foi concluído o processo de transferência do seu efetivo para a Polícia Nacional Bolivariana (PNB).

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