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Estátua de Pio XII em Fátima, Portugal: segundo historiador que teve acesso a arquivos do seu pontificado, papa alertou americanos sobre extermínio de judeus na 2ª Guerra, mas não acreditaram nele
Estátua de Pio XII em Fátima, Portugal: segundo historiador que teve acesso a arquivos do seu pontificado, papa alertou americanos sobre extermínio de judeus na 2ª Guerra, mas não acreditaram nele| Foto: Wikimedia Commons

O papa Pio XII, que liderou a Igreja Católica de 1939 a 1958, sabia do Holocausto desde o princípio e salvou pessoalmente ao menos 15 mil judeus, segundo afirmou o historiador alemão Michael Feldkamp, após reunir provas dos primeiros arquivos vaticanos, abertos em março de 2020 por ordem do papa Francisco.

“Pio XII salvou pessoalmente cerca de 15 mil judeus através dos seus esforços pessoais: abrindo mosteiros e claustros para as pessoas se esconderem”, disse Feldkamp em declarações publicadas nesta terça-feira (1º) pelo site Vatican News.

O historiador alemão afirmou que o papa relatou o extermínio nazista aos americanos, mas que eles não acreditaram.

“O que é novo agora, mas que sempre soubemos, é que Pio XII soube do Holocausto desde o início. Em relação ao extermínio sistemático dos judeus europeus, enviou uma mensagem ao presidente Roosevelt, dos Estados Unidos, em março de 1942, dois meses após a conferência de Wannsee”, argumentou.

“Nele, avisou que algo estava acontecendo na Europa, nas zonas de guerra. Estas mensagens não foram consideradas críveis pelos americanos”, acrescentou.

Feldkamp comemorou a abertura dos arquivos do Vaticano há quase dois anos por permitirem “muitas destas vagas suposições e até acusações” sobre o pontífice, especialmente de que “Pio XII não fez nada e se manteve em silêncio”.

“O problema do silêncio ainda existe, é claro. Mas agora pode ser considerado razoável, considerando que ele escondeu pessoas. Naquela altura, não poderia ter atraído mais atenção organizando protestos ou escrevendo notas de condenação”, comentou.

No entanto, “conduziu negociações com a embaixada alemã e as forças policiais italianas, mesmo com (Benito) Mussolini e o ministro das Relações Exteriores italiano” para “conseguir o máximo possível através de negociações”, disse o historiador.

Por ordem do papa Francisco, o Vaticano abriu, em março de 2020, os arquivos que preservam a documentação do problemático pontificado de Pio XII, em uma tentativa de esclarecer a acusação de que o pontífice não se pronunciou contra o nazismo durante a 2ª Guerra Mundial.

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