A polícia egípcia espancou e deteve hoje dezenas de manifestantes contrários ao governo no Cairo e em Alexandria que protestavam ante a possibilidade do filho do presidente do Egito Hosni Mubarak, sucedê-lo no cargo. Cerca de 300 manifestantes fizeram protestos contra o governo no Cairo, levantaram bandeiras e queimaram retratos de Mubarak, enquanto eram cercados por centenas de policiais da tropa de choque. Muitos manifestantes foram impedidos de chegar ao local da manifestação na capital, que aconteceu em frente ao palácio presidencial, no centro da cidade.

Ocorreram choques entre os policiais e os manifestantes, que foram detidos. Uma mulher foi dominada e espancada por uma policial feminina. A polícia também confiscou um vídeo de um cinegrafista da emissora de televisão Al-Jazira que filmava os protestos.

A manifestação foi convocada pela oposição após boatos de que Mubarak, de 82 anos, será sucedido na presidência por seu filho, Gamal Mubarak, que atualmente é um dos líderes do partido governista. Sob recentes emendas feitas na Constituição, Gamal Mubarak tornou-se um dos poucos políticos qualificados no país para disputar a presidência. "Chega de você e de júnior, não queremos herdeiros, não haverá liberdade sem sangue", gritavam os manifestantes.

Alexandria

Outra manifestação contra Mubarak e seu filho ocorreu na segunda maior cidade do Egito, Alexandria. A polícia também espancou manifestantes e deteve 15, de acordo com Abdel Rahman Youssef, que integra a campanha que tenta eleger o ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohammed ElBaradei.

O protesto no Cairo incluiu representantes dos partidos de oposição no Egito que estão na legalidade, bem como ativistas do movimento Kifaya, o qual foi o primeiro, em 2004, a levantar protestos contra a possibilidade do filho de Mubarak ser o sucessor do presidente.

"Muitos partidos estão aqui porque chegamos ao fim da linha, não existe mais outro método ou caminho que funcionará, com exceção da desobediência civil e da revolta popular, qualquer coisa fora disso é sem sentido", disse Ahmed el-Kordi, de 23 anos, que participou do protesto.

Ausência

Estiveram ausentes dos protestos os integrantes da Irmandade Muçulmana, que é o maior grupo de oposição no país e que obteve um quinto das cadeiras do Parlamento nas últimas eleições, embora, como o grupo foi proscrito, seus candidatos tenham concorrido como independentes. Centenas de partidários da Irmandade Muçulmana e de outros grupos islamitas estão nas prisões do Egito, detidos em várias levas de repressão.

Representantes de um movimento estudantil disseram que 30 dos seus partidários foram presos enquanto tentavam chegar ao protesto no Cairo. As manifestações acontecem dois meses antes das eleições parlamentares e um ano antes da eleição presidencial. Mubarak ainda não anunciou se concorrerá para mais um mandato e estenderá seu governo de quase 30 anos. Mubarak assumiu a presidência do Egito em 1981, após o assassinato de Anuar el-Sadat.

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