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Emergências e ameaças

Por que Japão e outros países estão recomendando estocar mantimentos

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Japão e outros países do Ocidente estão recomendando sua população a estocar mantimentos. (Foto: ANDY RAIN/EFE/EPA)

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O Japão inaugurou nesta segunda-feira (2) uma nova agência nacional de gestão de desastres e recomendou que a população do país comece a manter estoques de alimentos e água suficientes para pelo menos três dias, preferencialmente uma semana. A orientação ocorre em meio a iniciativas semelhantes adotadas por países europeus e pelos Estados Unidos, que vêm reforçando a preparação de suas populações para sinistros que vão desde terremotos e apagões até ataques cibernéticos e conflitos militares intensos e prolongados.

Segundo o jornal The Japan Times, a nova Agência Nacional de Gestão de Desastres do Japão também pediu que os moradores fixem móveis nas paredes, preparem suprimentos de emergência e identifiquem os abrigos mais próximos de suas residências. Durante a inauguração da agência, Goshi Hosono, primeiro diretor do órgão, afirmou que o governo federal e os governos locais têm capacidade limitada para atender toda a população durante uma "catástrofe de grandes proporções". Por isso, ele recomendou que os cidadãos japoneses adotem medidas preventivas antes que uma emergência aconteça.

A principal preocupação das autoridades japonesas é o risco de grandes terremotos, especialmente na região da Fossa de Nankai, uma zona submarina próxima à costa do Pacífico onde um megaterremoto poderia provocar tsunamis e danos generalizados.

A nova agência, inaugurada pelo governo da primeira-ministra Sanae Takaichi, possui 352 funcionários. O órgão ficará responsável por coordenar medidas de prevenção, resposta a emergências e reconstrução.

Guerra na Ucrânia e ameaças à infraestrutura preocupam a Europa

Na Europa, as recomendações para armazenar suprimentos ganharam força com a deterioração do cenário de segurança do continente após a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Além dos desastres naturais, as autoridades passaram a considerar com maior atenção riscos de conflitos militares prolongados, especialmente contra Moscou, sabotagens e ataques cibernéticos capazes de interromper serviços essenciais.

Em março de 2025, a Comissão Europeia apresentou um plano de preparação para emergências que prevê o desenvolvimento de orientações para que a população europeia consiga se manter por pelo menos 72 horas sem depender de serviços externos. O plano considera ameaças militares, tensões geopolíticas, ataques a sistemas digitais e fenômenos climáticos extremos. A preocupação é que uma crise possa afetar simultaneamente o fornecimento de energia, as redes de comunicação, o transporte e a distribuição de alimentos.

A Alemanha recomenda que seus cidadãos mantenham reservas suficientes para até dez dias. Em outubro de 2025, o governo do país atualizou seu manual de proteção civil e incluiu orientações relacionadas a situações de guerra. As autoridades alemãs explicaram que a mudança foi motivada, em parte, pelas preocupações da população com o conflito na Ucrânia.

Na Noruega, as autoridades ampliaram de três para sete dias o período recomendado de "autossuficiência doméstica" em maio de 2024. O governo citou como justificativa para ampliação do período riscos de sabotagem, ataques militares, eventos climáticos extremos e falhas nas redes de comunicação. A Suécia também tem recomendado que os moradores do país estejam preparados para sobreviver por pelo menos uma semana durante uma eventual crise.

No dia 22 de outubro, o Reino Unido lançou a campanha chamada "Be Ready", que orienta as famílias britânicas a manter em estoque em casa alimentos não perecíveis, água potável, medicamentos e outros itens necessários para enfrentar possíveis interrupções de serviços essenciais. A iniciativa britânica terá duração de três anos e busca preparar os moradores do país para situações como enchentes, tempestades, incêndios florestais e apagões. O governo também considera ameaças à segurança nacional, como possíveis conflitos, em seu planejamento de emergência.

Na Bélgica, o Centro Nacional de Crises divulgou, em 1º de outubro, um novo guia para ajudar os cidadãos a preparar kits de emergência e organizar planos familiares de proteção diante de catástrofes.

Nos Estados Unidos, a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) recomenda há anos que os cidadãos armazenem água e alimentos não perecíveis em casa suficientes para pelo menos três dias. A orientação faz parte da política americana de preparação para furacões, enchentes, apagões e outros desastres.

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