Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Oriente Médio

Por que saída dos Emirados Árabes da Opep pode ser uma vitória para Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, fez críticas recentes à Opep devido ao controle do preço do petróleo (Foto: ALLISON ROBBERT/EFE/EPA)

Ouça este conteúdo

O anúncio dos Emirados Árabes Unidos de saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da aliança Opep+ foi recebido nesta terça-feira (28) como um duro golpe para o cartel das grandes nações produtoras de petróleo, que perde um de seus maiores aliados.

O abandono de um importante parceiro reduz a influência da organização sobre o mercado global de energia e concede ao presidente dos EUA, Donald Trump, uma nova vantagem em sua agenda externa.

Isso porque o governante republicano já vinha criticando o cartel desde seu primeiro mandato, acusando-o de explorar os demais países do mundo com seu forte controle de preços do petróleo.

A entrada do petróleo de xisto americano no mercado global já vinha mexendo com a zona de influência da Opep nos mercados. A saída dos Emirados Árabes representa agora uma redução de 13% na capacidade de produção da Opep, segundo dados da Agência Internacional de Energia.

O anúncio chega em um momento em que a produção da Opep caiu quase 8 milhões de barris diários (mbd) em março, uma redução de 27,5% em relação ao bombeado em fevereiro, devido à guerra no Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz, que afetou sobretudo o Iraque e os países do Golfo Pérsico.

O conflito em andamento no Oriente Médio foi responsável por expandir ainda mais as divisões entre os países árabes que integram a organização devido aos ataques iranianos no Golfo Pérsico, que até o momento não receberam uma resposta conjunta dos países da região.

O país foi o mais afetado pelos ataques retaliatórios do Irã durante a guerra. O Irã lançou mais de 2.800 drones e mísseis contra o país, muito mais do que contra qualquer outro país do Golfo e até mesmo Israel.

Atualmente, os Emirados Árabes Unidos estão numa posição privilegiada por possuírem capacidade de contornar o bloqueio no Canal de Ormuz, encaminhando mais de metade das suas exportações de petróleo através do país. O país já vinha pressionando a Opep por maior liberdade em sua produção, no entanto, não obteve êxito na proposta, o que vinha sinalizando um desgaste e sinais de retirada do grupo.

A saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP+ pode levar outros membros a seguirem o exemplo na tentativa de romper com as restrições de produção do cartel.

Robin Mills, CEO da empresa de consultoria Qamar Energy, sediada em Dubai, disse à emissora CNN que a decisão pode levar à ruptura de outros países com a organização. Em 2019, o Catar, outro grande produtor de petróleo se retirou do grupo.

"Se há um momento para sair, este momento está aí", avaliou. "Você pode ver o Cazaquistão sair também. Esse é outro produtor importante que quer crescer".

Os Emirados Árabes Unidos uniram-se à Opep em 1967 por meio do emirado de Abu Dhabi e mantiveram sua adesão após a fundação do país em 1971.

VEJA TAMBÉM:

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.