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Antonio Guterres e Ban Ki-moon | Jewel Samad/AFP
Antonio Guterres e Ban Ki-moon| Foto: Jewel Samad/AFP

O português Antonio Guterres foi designado nesta quinta-feira (13) como novo secretário-geral das Nações Unidas, substituindo o sul-coreano Ban Ki-moon.

A Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução por aclamação que designa o político socialista de 67 anos, ex-primeiro-ministro de Portugal e ex-Alto Comissário da ONU para os Refugiados, como novo chefe da organização por um período de cinco anos, a partir de 1 de janeiro.

Espera-se que Guterres promova uma mudança de rumo na organização num momento de grande ansiedade mundial pela guerra na Síria, a crise de refugiados e os conflitos no Iêmen e no Sudão do Sul.

Hora de lutar pela paz

”Nos últimos 10 anos fui testemunha em primeira mão do sofrimento das pessoas mais vulneráveis no planeta. Visitei zonas de guerra e campos de refugiados onde você se pergunta legitimamente o que aconteceu com a dignidade da pessoa humana. O que nos tornou imunes aos apuros dos mais desprivilegiados?”, disse Guterres ante a Assembleia Geral em seu discurso após sua designação, que pronunciou em inglês, francês e espanhol.

“A paz é hoje infelizmente a grande ausente em nosso mundo (...) A ONU tem o dever moral e o direito universal de implementar como prioridade principal a diplomacia para a paz (...) uma diplomacia capaz de atenuar tensões e de fazer com que surjam soluções pacíficas”, lembrou em seu discurso, que foi recebido com uma salva de palmas e de pé pelos embaixadores.

Recém designado, Guterres convocou as grandes potências a superar suas divisões sobre a Síria, ante a proximidade das novas discussões internacionais sobre o conflito.

Diplomatas esperam que Guterres sacuda a ONU e adote reformas internas para torná-la mais rápida e eficiente. Também querem que leve novos ares à secretaria geral, depois de 10 anos de uma atitude low-profile durante o mandato de Ban.

“Guterres é conhecido por todos, mas talvez seja mais conhecido onde mais importe, no front de conflitos armados e de sofrimento da humanidade”, disse Ban, que o considerou “uma opção maravilhosa” para dirigir a ONU. “Seus instintos políticos são os da ONU: cooperação para o bem comum e responsabilidade compartilhada para os povos e o planeta”, ressaltou.

O embaixador chileno ante a ONU, Cristian Barros, também fez elogios a Guterres em nome do GRULAC, o Grupo para a América Latina e o Caribe, e destacou sua “estatura diplomática” e integridade.

Guterres recebeu o apoio unânime do Conselho de Segurança da ONU em uma votação na semana passada que colocou fim à campanha mais transparente já feita na ONU para o posto de número um da organização.

Os únicos candidatos latino-americanos para substituir Ban eram duas mulheres, a chanceler argentina Susana Malcorra e a ex-negociadora da ONU sobre mudanças climáticas Christiana Figueres, da Costa Rica.

Várias vozes se ergueram nesta quinta-feira pedindo uma maior igualdade de gêneros na ONU, que em seus 71 anos de vida nunca foi liderada por uma mulher.

Drew Angerer/AFP

Um reformador com visão

-Como primeiro-ministro de Portugal de 1995 a 2002 e como Alto Comissário da ONU para os Refugiados de 2005 a dezembro de 2015, Guterres demonstrou que “é um reformista”, disse nesta semana o embaixador britânico Matthew Rycroft.

Parte da grande animação com Guterres é proveniente da decepção com Ban, que muitos consideram um mau comunicador e reticente em adotar ações fortes nas grandes crises.

“Tem o instinto correto sobre a Síria e todo o resto, mas não teve a habilidade de realmente impulsionar a opinião internacional em nenhum destes temas”, disse um diplomata do Conselho de Segurança, que pediu o anonimato.

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