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A França começou a recorrer a suas reservas emergenciais de combustível, enquanto um número crescente de postos de combustíveis começou a ficar sem gasolina nesta segunda-feira, no início da segunda semana de greves de trabalhadores em refinarias e portos.

A Agência Internacional de Energia (AIE), responsável pelos suprimentos estratégicos de petróleo em países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), disse que a França tem estoques para 98 dias e que o país já começou a usar as reservas emergenciais de 30 dias da indústria.

As greves em toda a França contra a reforma na aposentadoria se espalharam nos últimos sete dias para as 12 refinarias de petróleo do país, intensificando o impacto de uma greve que já dura três semanas no maior porto petrolífero da França, Fos-Lavéra, por causa de condições de trabalho e uma reforma no porto.

Nesta segunda-feira, caminhoneiros franceses também realizaram operações-tartaruga em rodovias, e as greves no setor ferroviário se intensificaram, enquanto os protestos ganham força antes da votação no Senado da reforma da aposentadoria.

Apenas uma das 12 refinarias da França não interrompeu sua produção, e algumas refinarias começaram a declarar situação de força maior. Em 12 de outubro, trabalhadores de refinarias se uniram aos grevistas do porto petrolífero de Fos-Lavéra, no sul do país, que estão parados há três semanas.

A Exxon Mobil declarou força maior nesta segunda-feira sobre vários contratos de suprimento de combustível na França. Na sexta-feira a indústria química britânica Ineos declarou força maior sobre um produto de sua refinaria próxima a Fos-Lavéra. Foi a primeira ação desse tipo desde que as greves começaram.

Motoristas correram para os postos de combustíveis para encher seus tanques, mas muitos postos já estavam fechados ou sem estoque de pelo menos um produto petrolífero.

"É uma loucura, afundamos", disse a gerente de um posto na avenida Champs Elysées.

Não estava claro quantos dos 12.500 postos da França estão com falta de combustível, mas o sindicato de importadores independentes de petróleo disse que entre 500 e mil bombas de combustível abastecidos por ele em supermercados estão secas ou com falta de um produto. Sessenta por cento das bombas de combustível francesas são operadas por supermercados.

"A situação está crítica", disse uma porta-voz da Exxon Mobil. "Qualquer pessoa que procure diesel nas regiões de Paris e Nantes (oeste da França) terá problemas."

A poderosa confederação sindical CGT, que representa a maioria dos trabalhadores em portos e refinarias, aproveitou a greve nos portos para alavancar seus protestos contra a reforma previdenciária do presidente Nicolas Sarkozy.

Os trabalhadores do porto de Marselha são um dos grupos operários mais radicais do país e já fizeram repetidas greves nos últimos anos, prejudicando as perspectivas econômicas do maior porto petrolífero da França.

No fim de semana os sindicatos pediram o endurecimento dos protestos, mas o governo disse que recorrerá à força se for preciso para impedir a paralisia da economia nacional.

Os trabalhadores das refinarias e portos não deram sinais de ceder, e a perspectiva é que as greves continuem pelo menos até o novo dia de protestos nacionais convocado pelos sindicatos para 19 de outubro.

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