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Enfrentando impeachment

Presidência do Paraguai diz que Santiago Peña está no país, após rumores de viagem

SANTIAGO PEÑA
Santiago Peña, ainda no poder no Paraguai, promete comparecer ao processo de impeachment contra ele (Foto: MIGUEL GUTIERREZ/EFE)

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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, permanece no país e promete comparecer ao Senado para se defender no processo de impeachment aberto nesta quinta-feira (5), em meio à crise política provocada pela intervenção do Ueno Bank. O porta-voz da Presidência, Guillermo Grance, confirmou que o governante não deixou o território paraguaio, após circularem rumores de que ele teria viajado para a Argentina.

“Ele está no país. Quero reiterar isso até cansar, porque houve muitas informações de que foi para a Argentina, de que viajou para não sei onde, de que pegou um avião. Não, o presidente da República está no país”, afirmou Grance a jornalistas.

Peña anunciou que exercerá seu direito à defesa no julgamento político e disse que colaborará com as instituições responsáveis pela investigação da crise bancária. Em uma publicação no X, afirmou que fornecerá as informações solicitadas para esclarecer o caso e identificar eventuais responsáveis por irregularidades.

O presidente também declarou que a discussão sobre sua permanência no cargo não deve impedir a adoção de medidas para atender os clientes afetados pelo fechamento do banco. “A discussão sobre minha continuidade no cargo não pode paralisar as soluções de que as famílias afetadas precisam”, escreveu.

Impeachment avança no Senado

O Senado paraguaio iniciou nesta quinta-feira o processo de impeachment contra Peña, acusado de mau desempenho de suas funções em razão de seus vínculos com o Ueno Bank, que recebeu recursos milionários de entidades públicas durante seu governo.

Mais cedo, uma sessão conjunta do Congresso convocada para votar a renúncia de Peña foi suspensa por falta de quórum, depois que parlamentares governistas deixaram o plenário. A manobra impediu a formalização da saída do presidente e a ativação do mecanismo de sucessão.

A Câmara dos Deputados havia aprovado por unanimidade a acusação contra Peña. Segundo o senador governista Derlis Maidana, o processo terá duas etapas: o reconhecimento dos deputados como fiscais da acusação, ainda nesta quinta-feira, e a formação do tribunal de julgamento com os senadores, prevista para sexta-feira (6).

Crise bancária provocou turbulência política

A crise começou depois que o Banco Central do Paraguai determinou a intervenção e o processo de resolução do Ueno Bank. A instituição, que tinha 2,9 milhões de clientes em um país de 6,1 milhões de habitantes, apresentou índice de solvência abaixo de 50% do mínimo exigido, segundo o órgão regulador.

O Banco Central atribuiu a deterioração a ajustes realizados nos demonstrativos financeiros da instituição durante o processo de regularização. A decisão deixou recursos de clientes e entidades públicas bloqueados e provocou preocupação sobre os fundos de aposentadoria depositados no banco.

Peña, que mantém formalmente a Presidência enquanto responde ao processo, perderia as prerrogativas de senador vitalício caso fosse destituído pelo Congresso. Se a renúncia tivesse sido formalizada, ele conservaria esses direitos.

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