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O presidente do Egito, Hosni Mubarak, durante pronunciamento na televisão estatal do Egito | REUTERS
O presidente do Egito, Hosni Mubarak, durante pronunciamento na televisão estatal do Egito| Foto: REUTERS
  • Jatos d´água foram usados contra os manifestantes pela polícia do Cairo
  • Fumaça cobre o Cairo após confrontos entre manifestanes e a polícia

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, disse no sábado (horário local) que seu país precisava de diálogo, e não de violência, para encerrar problemas que provocaram dias de protestos, e anunciou que estava demitindo sua equipe de governo.

"Pedi ao governo para apresentar sua renúncia hoje", afirmou ele em discurso na televisão estatal. Mubarak acrescentou que agirá para nomear um novo governo ainda no sábado.

Os manifestantes pediram a renúncia de Mubarak, que está no poder desde 1981.

Mortes

Pelo menos cinco pessoas morreram nesta sexta-feira (28) no Cairo, durante o quarto dia de protestos contra o governo do presidente Hosni Mubarak, segundo fontes médicas.

Ao menos 870 manifestantes ficaram feridos, alguns deles a bala, muitos em estado grave. Cerca de 420 estavam hospitalizados.

Policiais também foram feridos, mas o número não estava imediatamente claro.

Toque de recolher

Para tentar controlar a rebelião, o governo do Egito ampliou para todo o país, o toque de recolher imposto apenas para as cidades do Cairo, de Suez e de Alexandria, mas a violência nas ruas continuava.

A ampliação foi decidida duas horas depois do primeiro toque ter sido imposto.

A medida, segundo a TV estatal, vale de 18h até 7h do dia seguinte (de 14h a 3h pelo horário brasileiro de verão).

Ela foi definida pelo próprio Mubarak, na qualidade de chefe das Forças Armadas.

Apesar disso, confrontos continuavam no Cairo e em Suez, com veículos militares armados rondando pelas ruas das duas cidades.

Fumaça erguia-se de vários pontos da cidade durante o anoitecer.

A sede do Partido Democrático Nacional, de Mubarak, estava em chamas, segundo imagens mostradas ao vivo pela TV Al Jazeera. Outros prédios também teriam sido incendiados. Manifestantes atacaram a sede da TV estatal, também segundo a Al Jazeera.

Hamada Labib el-Sayed, um motorista de 30 anos, foi baleado na cabeça quando a polícia tentava dispersar milhares de manifestantes que atacaram delegacia de Suez e morreu. Em represália, os manifestantes incendiaram oito carros da polícia e um posto policial do bairro de Arbayine.

O número de mortos em quatro dias de confrontos chegava a ao menos 13. Pelo menos mil pessoas foram presas.

Em Alexandria, o edifício sede do governo foi incendiado por manifestantes.

Mais cedo no Cairo, políciais usaram gás e jatos d´água contra manifestantes.

ElBaradei

Os milhares de manifestantes pressionam pela renúncia de Mubarak, há 30 anos no poder.

O opositor Mohamed ElBaradei, que recém retornou ao país e se ofereceu a conduzir uma suposta transição de governo, estaria sob prisão domiciliar, segundo a CNN. Ainda não havia confirmação oficial.

ElBaradei participou durante o dia de uma oração com 2.000 pessoas numa mesquita de Guiza, na capital.

A polícia cercou o local. A rede de TV Al Jazeera chegou a relatar que ele havia sido preso, mas depois desmentiu. Segundo a TV, ele teria sido apenas impedido de deixar o local.

Depois, ele e seu grupo se uniram aos protestos, em uma marcha pacífica pela cidade, segundo testemunhas.

Internet e celulares

A internet e o sinal de telefones celulares seguiam fora do ar no país, segundo vários relatos. O governo negou intervenção.

Mas, em comunicado, a empresa britânica Vodafone confirmou ter recebido a ordem de suspender os serviços de telefonia celular.

O Departamento de Estado dos EUA pediu que o país garanta o acesso às comunicações e respeite direitos inidividuais durante os protestos.

Repórteres de diversos meios de comunicação do país e blogueiros também relatam sobre o corte no serviço.

As redes sociais têm sido um dos principais meios usados pelos manifestantes para convocar os protestos.

A informação também tem se espalhado pela rede por meio de sites dedicados ao mundo árabe ao redor do mundo. O blog "The Arabist", citado pelo americano "Huffington Post", afirma que diversos servidores teriam sido afetados.

Pelo Twitter, repórteres que estão no país também relataram a interrupção na rede. "Sem internet, sem SMS, qual será o próximo? Celulares e telefones fixos? É demais para a estabilidade", postou o reporter da rede CNN, Ben Wedeman.

O também americano "Los Angeles Times" também relata que o serviço de internet via BlackBerry foi cortado no Egito.

Também havia relatos de que os telefones celulares estavam mudos.

Pedido de reformas

O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Assembleia, também membro do governista Partido Nacional Democrata no poder, pediu ao presidente egípcio Hosni Mubarak "reformas sem precedentes" para evitar uma revolução no Egito.

"Em nenhuma parte do mundo a segurança é capaz de pôr fim à revolução", afirmou Mostapha al Fekki, à TV Al Jazeera. "O presidente é a única pessoa que pode pôr fim a esses acontecimentos", disse, para depois pedir "reformas sem precedentes".

Jornalistas presos

Quatro jornalistas franceses foram detidos no Cairo, segundo o porta-voz do ministério francês das Relações Exteriores, Bernard Valero. Eles teriam sido libertados poucas horas depois.

Segundo uma fonte diplomática, eles trabalham para o "Journal du Dimanche" e o "Le Figaro", a agência de foto "Sipa" e a revista "Paris-Match".

Inspiração na Tunísia

A exemplo dos tunisianos, os egípcios se queixam do desemprego, da corrupção e do autoritarismo.

Um funcionário do governo norte-americano disse que os protestos são 'uma grande oportunidade' para que Mubarak, um dos principais aliados dos EUA na região, promova reformas políticas.

O presidente Barack Obama afirmou em entrevista divulgada no site de vídeos YouTube nesta quinta-feira que a violência não é uma solução para o Egito, fazendo um apelo a governo e manifestantes à contenção.

Obama reiterou o pedido das autoridades americanas a que os manifestantes possam se exprimir livremente.

"O Egito é um dos nossos aliados sobre numerosas questões de importância", disse o presidente, lembrando que falou numerosas vezes com Hosni Moubarak sobre a importância extrema de realizar reformas no governo.

Europa

A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, instou às as autoridades egípcias a libertar imediatamente os mais de mil manifestantes detidos.

Ashton convocou ainda as autoridades egípcias "a encontrarem urgentemente um meio construtivo e pacífico de responder às aspirações legítimas dos cidadãos egípcios pelas reformas democráticas e socioeconômicas".

Brasil

O Itamaraty divulgou nota oficial em que afirma que o governo brasileiro acompanha com atenção o desenrolar dos acontecimentos no Egito, na Tunísia e no Iêmen.

Leia a íntegra:

O Governo brasileiro acompanha com atenção o desenrolar dos acontecimentos no Egito, na Tunísia e no Iêmen.

O Governo brasileiro expressa sua expectativa de que as nações amigas encontrarão o caminho de uma evolução política capaz de atender às aspirações da população em ambiente pacífico e sem interferências externas, de modo a dar suporte ao desenvolvimento econômico e social em curso.

O Brasil e os países da América do Sul desenvolvem cooperação crescente com os países árabes. Em 16 de fevereiro, em Lima, terá lugar a III Cúpula América do Sul - Países Árabes (ASPA). Será uma oportunidade de renovação do diálogo com lideranças da região.

O Egito é um importante parceiro do Mercosul (em 2010, foi assinado acordo de livre comércio). O bloco tem ampliado seu relacionamento com os países árabes, como se verifica nas negociações em curso com Jordânia, Síria e Palestina.

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