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A prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelas forças especiais dos Estados Unidos se tornou um evento divisor na geopolítica do continente. Operação cirúrgica e estratégica, sem deixar baixas americanas, resgatou a Doutrina Monroe, sintetizada na frase "América para os americanos", que conduziu a política americana no século XIX. A ação americana deixou claro que, também neste século, o presidente Donald Trump não tolerará outras influências na região, que não a dos EUA. Este foi o ponto de partida do programa Última Análise desta segunda-feira (05).
O ex-procurador Deltan Dallagnol explicou que, ao contrário do que se propaga, a intervenção americana foi simplesmente o cumprimento de uma ordem judicial. "Trump executou um mandado de prisão contra um criminoso, um fugitivo da lei nos Estados Unidos, praticante de crimes como tráfico de drogas. Os americanos foram para executar um mandado de prisão".
A reação da comunidade internacional foi previsível e, enquanto as potências China e Rússia criticaram a medida na Organização das Nações Unidas (ONU), aqui no Brasil, o presidente Lula fez uma declaração no X: "Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional".
O vereador Guilherme Kilter rejeitou o argumento de "soberania", que supostamente deslegitimaria a intervenção americana na Venezuela. Segundo ele, "o povo deve determinar quem é seu líder. E os venezuelanos, em mais de três eleições, demonstraram não querer Maduro como presidente. Mesmo assim, ele continou lá. A soberania se tornou a de um ditador, e não de um povo".
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, se apresentaram, nesta segunda-feira (5), no Tribunal de Nova York, onde foram formalmente acusados pela Justiça americana. Ambos se declararam inocentes pelos crimes ligados a narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado.
"Vivo, Maduro pode falar. Com este choque de realidade na prisão, talvez, ele possa pensar até em uma delação premiada, para viver em um lugar com condições melhores. Ele está acostumado com o luxo, vale lembrar", ironizou a advogada Fabiana Barroso.
Prisão de Maduro: vencedores e perdedores
Se a grande mídia e a comunidade internacional condenaram a intervenção americana, o povo venezuelano ganhou um fôlego, dentro do caos civilizacional que se tornou a Venezuela. Já a esquerda mundial perde uma de suas figuras mais emblemáticas e a direita coleciona outra vitória no continente.
"Quem ganha é o povo venezuelano, porque saiu um 'narcoditador' do poder. Ganha também a estabilidade regional, pois Maduro patrocinava o tráfico de drogas e alimentava fluxos migratórios desordenados. E Trump ganha ainda popularidade", resume Dallagnol.
O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a sexta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.



