Publicidade
Estados Unidos

Nova Constituição, fim do Senado, estatizações: as ideias radicais dos socialistas do Partido Democrata

A deputada federal Rashida Tlaib, integrante do DSA e que tenta nas primárias democratas desta terça-feira (4) se manter na disputa pela reeleição (Foto: Lenin Nolly/EFE)

Ouça este conteúdo

Após uma pausa de pouco mais de um mês, as primárias do Partido Democrata serão retomadas nesta terça-feira (4), com a ala mais à esquerda da legenda buscando expandir seu ciclo de vitórias para tentar emplacar sua agenda radical.

A ascensão dos Socialistas Democráticos da América (DSA, na sigla em inglês) causa preocupação entre democratas moderados, republicanos e independentes devido às suas propostas, compiladas em um plano chamado “Os trabalhadores merecem mais”, elaborado entre abril e junho por um comitê de membros do DSA e divulgado recentemente.

“Se vivêssemos em uma sociedade sem classes e governássemos a nós mesmos, poderíamos construir livremente um mundo sem guerra ou pobreza. Poderíamos construir um mundo onde ninguém sofresse por causa de sua raça, gênero ou religião, e onde todos fossem livres, iguais e bem cuidados. Construir esse mundo é a estrela-guia do nosso movimento”, afirma o grupo no programa, que lista uma série de medidas radicais.

O DSA afirma, no plano, ter como metas “redigir uma nova Constituição” para os Estados Unidos e “criar uma república socialista democrática”.

Nos três Poderes federais, o grupo defende “expandir a Câmara dos Representantes”, “abolir o Senado” e “substituir o presidente e a Suprema Corte por um Executivo e um Judiciário escolhidos pelo Congresso e a ele subordinados”.

Na área econômica e trabalhista, o DSA quer impor uma jornada de trabalho de 32 horas semanais, “estabelecer a propriedade pública das maiores corporações e indústrias essenciais para garantir o controle democrático e a prestação de contas ao povo” e “instituir impostos agressivos sobre a riqueza dos indivíduos e corporações mais ricos para financiar bens públicos e infraestrutura”.

Em segurança, o programa dos socialistas do Partido Democrata prevê “desmilitarizar os departamentos de polícia” e “encerrar as detenções e deportações do ICE [agência migratória dos Estados Unidos] e punir a brutalidade de agentes federais”.

Outras metas são “legalizar a migração, conceder anistia a todos os imigrantes independentemente do seu status, oferecer um caminho para a cidadania a todos os residentes permanentes e acabar com os limites e cotas de vistos”.

Na área de família, o DSA prega “encerrar políticas que oprimem a autonomia corporal e a vida íntima, incluindo restrições patriarcais ao aborto, ao parto e à criação de filhos”.

Na política externa, os socialistas querem “cortar o financiamento do Departamento da Guerra” e “encerrar todas as guerras no exterior e fechar bases militares em outros países”.

Também defendem o reconhecimento da Palestina, medida que seria acompanhada pelo encerramento de “toda a ajuda militar e econômica a Israel” e por processos judiciais contra “líderes dos EUA e de Israel” responsáveis ​​pelo que o DSA chama de “genocídio em Gaza”.

O programa do DSA também afirma a intenção de “encerrar a guerra econômica [sanções] contra países cujos governos agem de forma independente dos Estados Unidos, como Cuba, Venezuela e Irã”.

Governo Trump associa DSA ao regime de Cuba

Em julho, o Departamento de Estado americano listou o DSA como um dos grupos de extrema esquerda inspirados e/ou que possuem ligação com o regime cubano.

“Hoje, o grupo mantém um compromisso fervoroso, quase religioso, com a causa do regime cubano — não porque seja propriamente controlado por agentes cubanos, mas porque tal compromisso é, agora, simplesmente a ortodoxia política de fato da extrema esquerda americana”, afirmou o relatório da pasta chefiada pelo republicano Marco Rubio.

A esquerda mais moderada também vem manifestando preocupação com a ascensão do DSA. Em artigo recente publicado no jornal The Washington Post, o think tank de centro-esquerda Third Way afirmou que os democratas precisam “combater o DSA” e que as experiências de “gestões da extrema esquerda” nos Estados Unidos têm sido um fracasso.

Em editorial publicado em julho, o conservador The Wall Street Journal afirmou que “o papel dos republicanos e dos democratas que tiverem coragem é esclarecer o país” sobre a agenda do DSA.

“Não fazendo o que o presidente [Donald] Trump faz, que é chamá-los de ‘comunistas’. Esse ataque genérico não terá ressonância entre os jovens, que não sabem o que é o comunismo”, argumentou o WSJ.

“A tarefa política consiste em associar o DSA às suas propostas específicas e radicais, e questionar os democratas que concorrem ao Congresso se eles concordam com a abolição do Senado ou com a neutralização do Poder Judiciário. Os democratas que não rejeitarem essas ideias do DSA se tornam alvos legítimos para serem associados a elas nas eleições deste ano”, afirmou o editorial.

Nesta terça-feira, haverá votações do Partido Democrata nos estados do Kansas, Michigan, Missouri, Washington e Virgínia para definir quem serão os candidatos da legenda a cargos nos níveis municipal, de condado, estadual e federal nas midterms, as eleições de meio de mandato presidencial nos Estados Unidos, marcadas para novembro.

Nesses estados, 20 pré-candidatos do DSA estarão na disputa, dos quais o mais conhecido é Rashida Tlaib, uma das duas deputadas do grupo na Câmara americana – a outra é Alexandria Ocasio-Cortez, que em junho já venceu a primária democrata para tentar a reeleição em novembro.

Na lista dos pré-candidatos nas primárias democratas de terça-feira, o DSA não cita Abdul El-Sayed, que busca ser senador federal pelo Michigan. Ele diz não ser socialista, mas participou de eventos organizados pelo grupo e é apoiado por Ocasio-Cortez e Tlaib.

Nas primárias democratas já realizadas, pré-candidatos do DSA venceram 38 das 76 votações internas que disputaram, inclusive desbancando democratas que ocupam atualmente cadeiras no Congresso americano. Contando as disputas desta terça-feira, outros 87 socialistas ainda estão na disputa.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.