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Visitante olha a pintura de Litvinenko em um hospital de Londres (imagem de arquivo). | NATALIA KOLESNIKOVA/AFP
Visitante olha a pintura de Litvinenko em um hospital de Londres (imagem de arquivo).| Foto: NATALIA KOLESNIKOVA/AFP

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, “provavelmente” aprovou o envenenamento do ex-espião da KGB Alexander Litvinenko em um hotel de Londres, concluiu um relatório britânico divulgado nesta quinta-feira (21).

Um crítico do governo russo que se tornou cidadão britânico, Litvinenko morreu em 2006, após beber um chá que continha polônio radioativo.

O relatório desta quinta-feira, redigido pelo juiz aposentado Robert Owen, afirma que Litvinenko provavelmente foi assassinado por ordem do serviço de inteligência russo, o FSB, com conhecimento direto e aprovação de Putin e de Nikolai Patrushev, então diretor do FSB - órgão que sucedeu a KGB no país.

“Levando em conta toda a evidência e a análise disponível para mim, eu concluo que a operação do FSB para matar o Sr. Litvinenko foi provavelmente aprovada pelo Sr. Patrushev e também pelo presidente Putin”, afirmou Owen nos capítulos finais do relatório de 327 páginas.

A aguardada investigação oferece o relato mais abrangente até agora sobre como Litvinenko morreu. As conclusões do texto, porém, podem prejudicar os já frágeis laços entre Moscou e Londres.

As relações entre os governos ocidentais e Moscou, prejudicadas pela queda do avião da Malaysia Airlines e pela intervenção russa na Ucrânia, devem ser testadas novamente, mesmo com diplomatas britânicos tentando conseguir a cooperação de Putin em relação à crise na Síria.

Cronologia

Estas são as datas mais importantes do caso do ex-espião russo Alexander Litvinenko:

2006- 1º de novembro: Litvinenko se reúne no Hotel Millennium de Londres com os russos Andrei Lugovoi, um ex-agente do KGB que virou empresário, e Dmitri Kovtun. Mais tarde, se reúne em outro bar com o italiano Mario Scaramella, que deu a ele um documento sobre o assassinato da jornalista russa de oposição Anna Politkovskaya. Na mesma noite, ele começa a passar mal.

- 20 de novembro: Litvinenko entra em cuidados intensivos. Uma foto o mostra sem expressão no olhar e sem cabelos. A investigação é iniciada pelo Departamento Antiterrorista da política britânica Scotland Yard.

- 23 de novembro: Litvinenko morre. No dia seguinte, em uma carta póstuma, acusa o presidente russo Vladimir Putin de ser responsável por sua morte. Putin nega as acusações denunciando uma “provocação política”.

O Departamento de Proteção de Saúde Reino Unido (HPA) anuncia que Litvinenko foi envenenado com polônio 210, uma substância altamente radioativa.

- 6 de dezembro: A Scotland Yard, que investigou em Moscou, classifica de assassinato a morte de Litvinenko, enterrado no dia seguinte em Londres, em um caixão de chumbo para evitar vazamento radioativo.

2007- 22 de maio: o promotor britânico indicia Lugovoi pelo assassinato de Litvinenko e exige sua extradição. A Rússia nega o pedido.

- 16 de julho: Londres anuncia a expulsão de quatro diplomatas russos.

- 19 julho: Moscou responde com a expulsão de quatro diplomatas britânicos, a interrupção da cooperação na luta contra o terrorismo, e a suspensão de novos vistos a funcionários britânicos.

2014- janeiro: a viúva de Litvinenko, Marina, apresenta um pedido ante o Superior Tribunal de Londres para obrigar o governo a abrir uma investigação pública

- 22 de julho: em um contexto de tensão com a Rússia por sua intervenção na Ucrânia, a ministra do Interior, Theresa May, anuncia que a investigação será realizada.

2016- 21 de janeiro: o juiz Robert Owen publica um documento de 300 páginas com os resultados da investigação, no qual afirma que Putin “provavelmente ordenou”, o assassinato e que os serviços de inteligência russos (FSB) estavam por trás dele.

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