
Uma pesquisa inédita realizada pelo Centro de Pesquisa Aplicada no Apostolado (CARA), da Universidade Georgetown, revelou que 39% dos católicos adultos nos Estados Unidos enfrentaram discriminação racial em algum momento de suas vidas. O estudo, divulgado em 26 de outubro, destaca que, embora a maioria dos fiéis reconheça o racismo como um pecado, o problema persiste inclusive em paróquias.
Quais grupos étnicos são os mais atingidos pela discriminação na Igreja?
O levantamento mostra que católicos indígenas e negros são os que relatam os maiores índices de preconceito. Entre os indígenas, 75% afirmaram ter passado por situações de discriminação racial ao longo da vida, sendo que 15% vivenciaram isso especificamente dentro de suas paróquias. Já entre os católicos negros, o índice de discriminação geral é de 66%. O dado alarmante é que, para este grupo, a ocorrência de racismo dentro do ambiente paroquial e nas instituições de ensino católicas sobe para 26%, o que representa um em cada quatro fiéis negros sofrendo exclusão na própria fé.
Como os católicos percebem o racismo em suas comunidades locais?
A pesquisa diferenciou o racismo em dois tipos: o implícito e o explícito. O racismo implícito envolve barreiras estruturais, como dificuldades injustas no acesso à moradia e educação. Já o explícito refere-se a agressões diretas, como xingamentos e negação de serviços. Cerca de 17% dos entrevistados acreditam que o racismo implícito é muito presente onde vivem, enquanto 19% dizem o mesmo sobre o racismo explícito. Novamente, houve um contraste na percepção: fiéis brancos são os menos propensos a notar esses problemas, enquanto os negros são os que mais os identificam.
Qual é o posicionamento oficial dos fiéis sobre o racismo ser um pecado?
Existe uma concordância majoritária entre os católicos americanos de que o racismo fere os princípios da Igreja. Segundo o estudo do CARA, 75% dos adultos concordam que é pecaminoso excluir ou maltratar alguém devido à sua raça ou etnia. Além disso, 73% acreditam no chamado 'pecado de omissão', que ocorre quando indivíduos ou a própria instituição permanecem em silêncio e não agem contra injustiças raciais. Embora a doutrina seja clara para a maioria, os pesquisadores apontam que a prática de um comportamento antirracista cotidiano ainda enfrenta desafios reais.
O que a pesquisa sugere para combater a desigualdade racial na instituição?
A maioria dos participantes, totalizando 67%, acredita que o fim do racismo depende do enfrentamento de políticas e barreiras institucionais que perpetuam a desigualdade social e econômica. O estudo indica que não basta apenas condenar o ato individual, mas é necessário rever estruturas que preservam privilégios ou exclusões. O relatório serve como um alerta para a Igreja nos Estados Unidos, mostrando que o ambiente sagrado não está imune às tensões sociais e que grupos minoritários, como hispânicos e asiáticos, também relatam índices de discriminação superiores a 50%.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





