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Violência

Quatro brasileiros estão entre 72 mortos no México

Sobrevivente de massacre diz que todos os assassinados eram imigrantes ilegais que se recusaram a trabalhar para narcotraficantes

O equatoriano Luis Fredy Lala recebe assistência médica em Matamoros, México: sobrevivente do massacre afirma que imigrantes se recusaram a trabalhar para o narcotráfico | Reuters
O equatoriano Luis Fredy Lala recebe assistência médica em Matamoros, México: sobrevivente do massacre afirma que imigrantes se recusaram a trabalhar para o narcotráfico (Foto: Reuters)
Policiais mexicanos examinam corpo de narcotraficante assassinado em Ciudad Juarez: cartéis dominam fronteira do México com os EUA |

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Policiais mexicanos examinam corpo de narcotraficante assassinado em Ciudad Juarez: cartéis dominam fronteira do México com os EUA

Veja onde aconteceu a chacina |

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Veja onde aconteceu a chacina

Cidade do México - O governo do México afirmou ter encontrado 72 corpos ontem no estado de Tamaulipas, na fronteira com os EUA, dos quais pelo menos quatro são brasileiros. Todos eles seriam imigrantes ilegais da América Central e do Sul.

O episódio foi o mais recente de uma escalada da violência ligada ao narcotráfico no país, que, nos últimos quatro anos, deixou mais de 28 mil mortos.

O porta-voz do Conselho de Segurança mexicano, Alejandro Poire, afirmou que, além dos brasileiros, há vítimas de El Salvador, Honduras e Equador.

A descoberta dos corpos foi possível após um dos imigrantes, um equatoriano, ter conseguido escapar.

O sobrevivente, identificado como Luis Fredy Lala Pomavilla, contou que os estrangeiros foram sequestrados pelo grupo criminoso quando tentavam chegar à fronteira com os EUA.

Segundo ele, os criminosos se identificaram como membros do cartel Zetas, e que resolveram as­­sassiná-los por eles terem recusado trabalhar como matadores de aluguel para a organização. Pelo trabalho, eles receberiam US$ 1.000 (cerca de R$ 1.760) quinzenais.

Após o depoimento de Freddy, forças da Marinha mexicana foram até o local indicado por ele, nas proximidades da cidade de San Fernando – 160 km ao sul de Brownsville, no estado americano do Texas.

Após um tiroteio, que deixou um militar e três criminosos mortos, as autoridades localizaram os corpos de 58 homens e 14 mulheres.

Um adolescente foi detido no local, e um arsenal com 21 armas de grande calibre, fuzis, escopetas, rifles e carregadores foi apren­­dido.

O governo confirmou oficialmente à Embaixada do Brasil na Cidade do México que, entre os mortos, estão ao menos quatro brasileiros.

O cônsul-geral do Brasil no Mé­­xico, Márcio Lage, disse que ainda não há detalhes sobre a identidade dos mortos. "Não se sabe ainda se são homens ou mulheres, se eram imigrantes ilegais, nem de que lugar do Brasil seriam’’, disse.

Lage não descarta que este nú­­mero aumente uma vez que to­­dos os cadáveres sejam identificados.

Histórico

O episódio foi o terceiro em 2010 no qual autoridades mexicanas descobriram valas com dezenas de corpos, vítimas de narcotraficantes.

Em outros dois casos, acredita-se que os mortos foram sendo dei­­xados nos locais durante um longo período.

Em maio, foram descobertos 55 corpos em uma mina abandonada perto de Taxo, uma cidade colonial ao sul da capital do país, muito popular entre turistas.

Dois meses depois, outros 51 corpos foram encontrados em um campo perto de um depósito de lixo nas cercanias de Monter­­rey.

A região é palco de uma batalha feroz entre o Zetas e seu antigo aliado, o cartel Golfo.

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