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Gina Hinojosa

Quem é a democrata que se afastou de pautas progressistas para vencer o governo do Texas

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A democrata Gina Hinojosa será a nova governadora do Texas. (Foto: Carlos Ramírez/EFE)

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A democrata Gina Hinojosa, de 52 anos, derrotou o republicano Greg Abbott nas eleições desta terça-feira (3) e se tornou a primeira mulher latina eleita governadora do Texas, nos Estados Unidos. A vitória encerrou mais de três décadas de domínio republicano no governo estadual do Texas e foi conquistada após uma campanha onde Hinojosa, que era conhecida localmente por posições progressistas, decidir concentrar o discurso na economia e se afastar da discussão sobre temas como o aborto e identidade de gênero.

Deputada estadual desde 2017, Hinojosa integrava a ala mais à esquerda do Partido Democrata no Texas. Durante sua passagem pelo Legislativo estadual, ela votou contra leis que restringiram o aborto e tratamentos de afirmação de gênero para menores de idade no estado. Na disputa pelo governo, porém, ela se afastou das pautas progressistas e de gênero e passou a criticar a importância dada pelos próprios democratas ao que chamou de “guerras culturais”.

Em entrevista ao jornal Politico, em setembro, Hinojosa afirmou que o Partido Democrata havia caído na “armadilha das disputas ideológicas”, deixando os eleitores americanos sem saber quais eram suas propostas para outros problemas enfrentados no país. Segundo ela, o partido precisava voltar a concentrar suas propostas nas dificuldades econômicas enfrentadas pelos americanos. Ela disse então que sua campanha havia abandonado a guerra cultural e focado nos problemas que afetam o dia a dia.

"Não estamos entrando nas guerras culturais. Estamos falando sobre como vamos melhorar a vida das famílias trabalhadoras", declarou a democrata sobre como estava conduzindo sua campanha para o governo.

A mudança de estratégia chamou a atenção porque Hinojosa se apresentou por diversas vezes como uma progressista convicta. Durante o Texas Tribune Festival, também em setembro, contudo, ela rejeitou o rótulo de progressista e passou a se definir como uma “populista”.

Quem é Gina Hinojosa

Nascida em Brownsville, no sul do Texas, próximo à fronteira com o México, Hinojosa cresceu em uma família ligada à política democrata. Seu pai, Gilberto Hinojosa, presidiu o Partido Democrata no Texas entre 2012 e 2025.

Formada em Direito pela Universidade George Washington, na capital americana, ela trabalhou como advogada na defesa de direitos civis e de trabalhadores sindicalizados antes de entrar para a política. Sua primeira experiência eleitoral ocorreu em 2012, quando Hinojosa disputou uma vaga no conselho responsável pelas escolas públicas de Austin. A candidatura surgiu depois que cortes no orçamento ameaçaram provocar o fechamento da escola frequentada por seu filho. Em 2015, ela assumiu a presidência do conselho e, no ano seguinte, foi eleita deputada estadual.

Na Assembleia Legislativa, Hinojosa se opôs às propostas do governador republicano Abbott para financiar escolas privadas com recursos públicos. Ela também ocupou a vice-presidência da bancada progressista da casa legislativa estadual e votou contra leis que restringiram o aborto, proibiram tratamentos de transição de gênero para menores de idade e ampliaram a cooperação das autoridades locais com o serviço federal de imigração dos Estados Unidos (ICE).

Ao jornal Texas Tribune, o cientista político Mark Jones, da Universidade Rice, classificou Hinojosa entre os parlamentares mais progressistas da Assembleia do Texas durante todos os seus mandatos.

Na campanha para o governo, a democrata se afastou do histórico progressista e colocou questões econômicas no centro do debate. Ela concentrou suas propostas no custo de vida, na educação pública e na redução da influência de grandes empresas sobre o governo estadual.

Uma das principais promessas da agora governadora eleita foi distribuir US$ 1.500 a cada família do Texas, utilizando recursos de um fundo de reserva financeira do estado. A medida, contudo, ainda dependerá de aprovação legislativa.

Hinojosa também defendeu restrições à construção de novos centros de processamento de dados no estado (os datacenters de IA), diante de reclamações de comunidades sobre o consumo de energia e água dessas instalações.

Durante a campanha, a democrata procurou conquistar eleitores independentes e republicanos insatisfeitos com o governo de Abbott. Em setembro, Hinojosa surpreendeu até a campanha republicana ao divulgar uma propaganda eleitoral com o apoio de Lynn Davenport, uma eleitora conservadora que votou no presidente Donald Trump e participou da manifestação de 6 de janeiro de 2021, em Washington, contra o resultado da eleição presidencial americana de 2020.

"Eu estive no protesto de 6 de janeiro. Sou uma conservadora convicta, mas não posso apoiar o governador Greg Abbott", afirmou Davenport na propaganda. Ela também acusou o republicano de “governar para grandes empresários e bilionários”, em vez de atender às necessidades da população do Texas.

Segundo o Texas Tribune, Davenport era uma eleitora de Abbott e continuava se identificando como republicana. A aproximação dela com Hinojosa ocorreu durante debates feitos pela campanha democrata sobre educação pública. Nesses encontros, ambas se conectaram pela oposição ao uso de recursos públicos do estado para financiar escolas privadas. A democrata chegou a destacar o apoio de Davenport durante um evento político realizado em setembro, afirmando que Davenport havia votado em Trump, mas agora apoiava sua candidatura ao governo estadual.

Hinojosa se afastou do debate sobre o aborto e questão de gênero

Na tentativa de se afastar da imagem de uma candidata defensora de pautas progressistas, Hinojosa divulgou em setembro uma propaganda na qual contou que, há 23 anos, decidiu continuar uma gravidez mesmo depois de descobrir que a filha tinha uma doença genética grave e não sobreviveria. Católica, ela disse ao jornal The Washington Post que tomou a decisão porque já amava a criança, que nasceu sem vida.

A propaganda não mencionava diretamente a questão do aborto, mas provocou críticas de grupos conservadores. John Seago, presidente da organização pró-vida Texas Right to Life, classificou a propaganda como "hipócrita" e acusou Hinojosa de tentar parecer contrária ao aborto, apesar de seu histórico de votações favoráveis ao procedimento no legislativo texano. A democrata negou essa intenção e afirmou que queria apenas compartilhar sua experiência pessoal.

Em entrevista ao Politico, Hinojosa disse que liberar o aborto no Texas não seria uma prioridade de seu governo, mas ela ainda defendeu a retirada de punições criminais contra profissionais que realizam o procedimento.

A democrata também evitou prometer a revogação de leis que restringem tratamentos de transição de gênero para menores de idade, embora tenha votado contra essas medidas enquanto era deputada estadual. Em uma propaganda eleitoral durante a campanha, ela respondeu às críticas de Abbott sobre ter defendido questões de gênero e políticas progressistas, afirmando que "meus pronomes são mãe, texana e, em breve, governadora".

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