
As Ilhas Malvinas (chamadas de Falkland pelos ingleses) são britânicas por opção dos próprios moradores do lugar e não haverá negociações com a Argentina em relação à soberania do local a menos que os próprios habitantes desejem isso, afirmou ontem o governo do Reino Unido.
O comunicado divulgado pela chancelaria britânica foi uma resposta a declarações dadas na terça-feira pela presidente argentina, Cristina Kirchner. A líder sul-americana afirmou que apresentaria uma reclamação formal ao Conselho de Segurança das Nações Unidas pelo que ela chamou de "militarização" pelo Reino Unido da situação nas disputadas ilhas.
Cristina reclamou do envio de um navio de guerra britânico à região e também do fato de o príncipe William estar realizando treinamento militar nas Malvinas. Londres disse que enviou o navio em uma operação de rotina, pois ele deve substituir outra embarcação.
"Não estamos militarizando o Atlântico Sul. Nossa postura defensiva nas ilhas Falkland (nome britânico para as Malvinas) permanece inalterada", afirmou uma porta-voz do primeiro-ministro David Cameron.
A Chancelaria britânica, por sua vez, voltou a descartar a possibilidade de o Reino Unido atender à demanda de fundo da Argentina: abrir negociações sobre a soberania das ilhas. "Os moradores da ilha são livres para determinar seu próprio futuro, e não haverá negociações com a Argentina sobre a soberania a menos que eles queiram", afirmou um porta-voz do ministro William Hague.
O argumento é semelhante ao usado pelo embaixador britânico na ONU em recente carta ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.
No discurso de ontem, Cristina anunciou que reclamará formalmente das recentes ações britânicas no Conselho de Segurança e na Assembleia Geral da ONU.
Analistas políticos argentinos consideram que, ao colocar a questão das Malvinas na ordem do dia e mobilizar a sociedade argentina em torno do tema, Cristina e seu governo fazem exatamente o que o vice-presidente Amado Boudou recentemente apontou como intenção de Cameron: desviar o foco de problemas internos com um assunto que gera um consenso nacional.
"Cristina parece ter aprendido algo com Margaret Thatcher (ex-premier britânica): que a defesa das Malvinas pode representar uma agenda muito positiva", afirmou Rodrigo Lloret, especialista em relações internacionais do jornal argentino Perfil.







