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Disputa territorial

Reino Unido descarta ceder as Malvinas

Governo britânico reage à pressão argentina e diz que a população da ilha em disputa é livre para decidir seu futuro

A presidente Cristina Kirchner acusa o Reino Unido de militarizar o Atlântico Sul na disputa pelas Malvinas | Juan Mabromata/AFP
A presidente Cristina Kirchner acusa o Reino Unido de militarizar o Atlântico Sul na disputa pelas Malvinas (Foto: Juan Mabromata/AFP)

As Ilhas Malvinas (chamadas de Falkland pelos ingleses) são britânicas por opção dos próprios mo­­radores do lugar e não haverá ne­­gociações com a Argentina em re­­lação à soberania do local a menos que os próprios habitantes desejem isso, afirmou ontem o governo do Reino Unido.

O comunicado divulgado pela chancelaria britânica foi uma resposta a declarações dadas na terça-feira pela presidente argentina, Cristina Kirchner. A líder sul-americana afirmou que apresentaria uma reclamação formal ao Conselho de Segurança das Na­­ções Unidas pelo que ela chamou de "militarização" pelo Reino Unido da situação nas disputadas ilhas.

Cristina reclamou do envio de um navio de guerra britânico à re­­gião e também do fato de o príncipe William estar realizando treinamento militar nas Malvinas. Lon­­dres disse que enviou o navio em uma operação de rotina, pois ele deve substituir outra embarcação.

"Não estamos militarizando o Atlântico Sul. Nossa postura de­­fensiva nas ilhas Falkland (nome britânico para as Malvinas) permanece inalterada", afirmou uma porta-voz do primeiro-ministro David Cameron.

A Chancelaria britânica, por sua vez, voltou a descartar a possibilidade de o Reino Unido atender à demanda de fundo da Argentina: abrir negociações sobre a soberania das ilhas. "Os moradores da ilha são li­­vres para determinar seu próprio futuro, e não haverá negociações com a Argentina so­­bre a soberania a menos que eles queiram", afirmou um porta-voz do ministro William Hague.

O argumento é semelhante ao usado pelo embaixador britânico na ONU em recente carta ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

No discurso de ontem, Cristina anunciou que reclamará formalmente das recentes ações britânicas no Conselho de Segurança e na Assembleia Geral da ONU.

Analistas políticos argentinos consideram que, ao colocar a questão das Malvinas na ordem do dia e mobilizar a sociedade ar­­gentina em torno do tema, Cris­­tina e seu governo fazem exatamente o que o vice-presidente Amado Boudou recentemente apontou como intenção de Ca­­me­­ron: desviar o foco de problemas internos com um assunto que ge­­ra um consenso nacional.

"Cristina parece ter aprendido algo com Margaret Thatcher (ex-premier britânica): que a defesa das Malvinas pode representar uma agenda muito positiva", afirmou Rodrigo Lloret, especialista em relações internacionais do jornal argentino Perfil.

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