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Opinião

Revolução abriu as portas para a liberdade

No dia 25 de abril de 1974 um golpe de Estado perpetrado por jovens oficiais de média patente derrubava uma das mais longas ditaduras da história do Ocidente. Naquela manhã, a população civil de Lisboa juntava-se aos militares. No Terreiro do Paço, na Praça do Comércio, no Rocio, na Praça da Figueira a comemorar o desfecho de um regime que caía de podre.

A consolidação democrática foi imediata. Não, entretanto, sem sucessivas crises e alternâncias de poder, sobretudo no chamado "verão quente" de 1975. Quarenta anos depois, o 25 de abril permanece na memória dos portugueses.

Foi um acontecimento determinante não apenas para o turbulento processo de independência colonial como também para a construção de sua democracia de tipo ocidental que lhe permitiu a entrada na Comunidade Europeia em 1986, após quase uma década de negociações.

As crises vividas por Portugal hoje permitem que vozes dissonantes questionem o legado da Revolução dos Cravos. Para a direita, terá aberto o caminho para a demagogia dos políticos e a corrupção. Para a extrema esquerda, terá sido uma revolução inconclusa, o socialismo abortado.

Num e noutro caso, perspectivas que apontam para soluções definitivas. A Revolução dos Cravos abriu as portas do país à liberdade. Foi um passo, eivado de contradições, para a sua integração à Europa. E é assim que deve ser lembrada.

Quanto às crises, elas fazem parte da história, das democracias e das ditaduras. As soluções encontradas para resolvê-las é que sim, são diferentes.

Francisco Palomanes Martinho, Professor do Departamento de História da USP.

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