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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, encerrou nesta quinta-feira (10) uma viagem por Colômbia, Equador e Peru que foi marcada pela assinatura de novos acordos, anúncios de investimentos em segurança e pela ampliação da ofensiva de Washington contra o narcotráfico na América do Sul. O americano não colocou o Brasil em sua agenda.
Em três dias, Rubio se reuniu com os presidentes Abelardo de la Espriella, Daniel Noboa e Keiko Fujimori, todos atualmente próximos ao governo de Donald Trump, e avançou em uma agenda que combina combate aos cartéis, cooperação militar, comércio, minerais críticos e energia.
A última escala do secretário de Estado foi o Peru, onde Fujimori anunciou a entrada do país no Escudo das Américas, coalizão liderada pelos Estados Unidos para aumentar o compartilhamento de informações de inteligência e coordenar ações contra organizações criminosas transnacionais.
Rubio afirmou em Lima que uma presença maior dos Estados Unidos na região não deve ser vista como um favor aos países latino-americanos, mas como uma necessidade para a própria segurança americana. A adesão peruana ampliou uma frente regional que Washington vem tentando consolidar para enfrentar cartéis, grupos armados e redes de tráfico que atravessam fronteiras.
Durante a passagem pelo Peru, Rubio e Fujimori também discutiram comércio, migração e cooperação antidrogas. Peru e Washington já vinham ampliando seus laços antes da chegada de Fujimori no poder. Em janeiro, Washington já tinha classificado o Peru como um importante aliado extra-Otan e permitido o investimento de US$ 1,5 bilhão para obras na base naval de Callao.
Rubio promete mais recursos e embarcações ao Equador
Durante sua passagem pelo Equador, Rubio anunciou uma das maiores ampliações de apoio à segurança entre os três países visitados. O secretário afirmou que o governo Trump pedirá ao Congresso americano US$ 45 milhões adicionais para operações de segurança no Equador, além de outros US$ 10 milhões destinados ao combate à mineração ilegal, ao recrutamento por facções e às redes de financiamento ilícito.
Washington também prometeu entregar à Marinha equatoriana um navio da Guarda Costeira americana e cinco embarcações interceptadoras. Outras sete já haviam sido entregues neste ano para operações contra o tráfico marítimo.
Durante a visita a Quito, Rubio anunciou ainda que os Estados Unidos classificaram a facção equatoriana Los Tiguerones como organização terrorista estrangeira. Segundo o Departamento de Estado, o grupo atua no narcotráfico e em outras atividades criminosas e esteve envolvido na invasão armada de uma emissora de televisão equatoriana durante uma transmissão ao vivo em 2024, na onda de violência criminosa que abalou o país.
“Eles precisam ser desmantelados, precisam ser derrotados”, afirmou Rubio ao defender uma ação mais dura contra organizações criminosas que, segundo ele, adquiriram capacidades semelhantes às de grupos terroristas.
O Equador se tornou nas últimas semanas um dos principais parceiros dos Estados Unidos em operações marítimas contra embarcações suspeitas de transportar drogas. Rubio afirmou que Washington passou a trabalhar de maneira conjunta com governos aliados em parte dessas ações e disse que os alvos são definidos caso a caso com a participação das autoridades locais.
Colômbia assina acordos sobre minerais críticos e energia nuclear
Na terça-feira (8), na Colômbia, Rubio se encontrou com o presidente Abelardo de la Espriella. O encontro marcou uma reaproximação entre Washington e Bogotá depois das tensões registradas durante o governo do esquerdista Gustavo Petro.
Além da agenda de segurança e combate ao narcotráfico, os dois países assinaram na ocasião dois memorandos de entendimento: um sobre minerais críticos e terras raras e outro sobre cooperação em energia nuclear civil.
O primeiro prevê ampliar a cooperação nas cadeias de mineração e processamento de minerais considerados estratégicos para setores como defesa, tecnologia, baterias e infraestrutura energética. A área se tornou uma das prioridades do governo Trump diante da forte presença chinesa no mercado mundial de minerais críticos.
O segundo acordo cria uma estrutura de cooperação para possíveis aplicações civis da tecnologia nuclear, incluindo segurança energética e pesquisa científica.
Na área de segurança, Rubio prometeu ampliar o apoio americano às ações da Colômbia contra organizações armadas e redes de narcotráfico. O governo de De la Espriella busca equipamentos como drones, sistemas de radar e outras tecnologias para reforçar operações antidrogas e modernizar as forças de segurança.
Rubio afirmou que Washington vê a chegada do novo governo como uma oportunidade para abrir uma nova etapa na relação entre os dois países.
Viagem reforça presença dos EUA na América do Sul
O combate ao narcotráfico foi o eixo comum das três viagens, mas a passagem de Rubio mostrou uma estratégia mais ampla do governo Trump para recuperar espaço político, econômico e militar na América do Sul.
Washington tenta aproximar governos considerados aliados, ampliar a troca de inteligência, facilitar operações conjuntas e fortalecer sua presença em setores estratégicos que hoje contam com participação crescente da China. Tal movimento aparece de maneira particularmente clara no Peru, onde a China já superou os Estados Unidos como principal parceiro comercial e tem investimentos expressivos nos setores de mineração e infraestrutura.







