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Guerra no leste europeu

Rússia diz que tropas de paz do Ocidente na Ucrânia serão consideradas “alvos legítimos”

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova (Foto: RAMIL SITDIKOV/EFE/EPA/REUTERS)

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A ditadura da Rússia disse nesta quinta-feira (8) que forças de paz do Ocidente que podem ser enviadas para a Ucrânia em caso de cessar-fogo na guerra entre os dois países serão consideradas “alvos militares legítimos” pelo Kremlin.

A advertência foi feita em comunicado da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, dois dias depois dos governos do Reino Unido e da França terem assinado uma declaração de intenções sobre o destacamento de tropas para a Ucrânia e o estabelecimento de bases militares para dissuadir outra invasão caso um acordo de paz seja firmado.

“O Ministério das Relações Exteriores da Rússia adverte que o destacamento de unidades militares e a instalação de bases militares, depósitos e outras infraestruturas ocidentais em território ucraniano serão qualificados como intervenção estrangeira que ameaça diretamente a segurança da Rússia e de outros países europeus”, afirmou Zakharova no comunicado.

“Todas essas unidades e instalações serão consideradas alvos militares legítimos para as Forças Armadas Russas. Avisos nesse sentido têm sido feitos repetidamente ao mais alto nível e continuam válidos”, disse a porta-voz.

“As novas declarações militaristas da chamada Coalizão de Voluntários e do regime de Kiev estão formando um verdadeiro Eixo de guerra”, acrescentou, em referência ao grupo que está sendo montado pelo Reino Unido e pela França.

Em novembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propôs um plano de paz de 28 pontos, entre eles, o reconhecimento internacional das regiões ucranianas da Crimeia, de Lugansk e Donetsk como territórios russos, o que daria a Moscou áreas que não conseguiu conquistar no campo de batalha, já que, embora controle as duas primeiras regiões totalmente, controla apenas 70% da terceira.

Outros pontos da proposta foram que o tamanho das Forças Armadas da Ucrânia fosse limitado a 600 mil militares (hoje, têm cerca de 900 mil) e que o país incluísse em sua Constituição uma cláusula de não adesão à Otan. Em troca, a Ucrânia receberia garantias de segurança contra futuras invasões.

Na véspera de Natal, após negociações com os EUA, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apresentou uma contraproposta de 20 pontos, na qual a Ucrânia não renuncia a ingressar algum dia na Otan, nem reconhece a soberania russa sobre a Crimeia e outros territórios ocupados, ao propor duas opções: congelar a atual linha de frente em Donetsk, Lugansk, Zaporizhzhia e Kherson ou desmilitarizar a zona de Donetsk que a Ucrânia ainda controla e que Moscou reivindica, que seria protegida por tropas internacionais, mediante aprovação em referendo nacional.

A Rússia ainda não deu uma resposta definitiva sobre essa proposta, mas disse que ela dista “radicalmente” do documento que Moscou vinha debatendo com os Estados Unidos.

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