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guerra na líbia

Sarkozy diz a rebeldes da Líbia: "Vamos ajudar vocês"

Oito pessoas foram mortas na terça-feira, em sua maioria civis

A França prometeu aos rebeldes líbios nesta quarta-feira que vai intensificar os ataques aéreos contra as forças de Muamar Kadafi e enviar oficiais militares de comunicações para ajudá-los, enquanto os combates continuavam intensos na cidade sitiada de Misrata.

Rebeldes disseram que combateram as tropas pró-governo pelo controle de uma avenida principal na cidade portuária que é o último reduto dos insurgentes no oeste do país. Oito pessoas foram mortas na terça-feira, em sua maioria civis.

Em Paris, em seu primeiro encontro com o líder do oposicionista Conselho Nacional Líbio, Mustafa Abdel Jalil, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, prometeu intensificar as ações militares, disse em comunicado à imprensa o gabinete presidencial do Eliseu.

"Vamos de fato intensificar os ataques e responder a este pedido do conselho de transição nacional", disse o comunicado, segundo o qual Sarkozy teria dito a Abdel Jalil: "Vamos ajudar vocês".

O presidente não disse como as forças lideradas pela Otan pretendem romper o impasse no campo de batalha depois de os Estados Unidos e alguns aliados europeus terem se negado na semana passada a juntar-se aos ataques.

O vice-presidente norte-americano, Joe Biden, em entrevista ao Financial Times, afirmou que aviões de ataque dos EUA não são necessários para realizar a missão da aliança na Líbia.

"Se Deus Todo-Poderoso tirasse os EUA da Otan e os colocasse no planeta Marte, de modo que deixássemos de participar, é bizarro sugerir que a Otan e o resto do mundo não teriam a capacidade necessária para lidar com a Líbia -- isso não acontece", teria dito Biden.

"Ocasionalmente falta a vontade política a outros países, mas não falta capacidade", disse Biden.

Abdel Jalil disse a repórteres que convidou Sarkozy a visitar a cidade de Benghazi, no leste da Líbia, controlada pelos rebeldes, para demonstrar o apoio da França ao objetivo de pôr fim aos 41 anos de governo de Muamar Kadafi.

"Acho que isso seria extremamente importante para o moral da revolução", disse ele. A França não informou se Sarkozy aceitou o convite.

Democracia

Abdel Jalil também disse que a oposição, pouco conhecida pelo mundo até que começou o levante contra Kadafi, em meados de fevereiro, está engajada na meta de construir na Líbia uma democracia em que o chefe de Estado chegue ao poder "pelas urnas, e não sentado sobre um tanque."

Acredita-se que centenas de pessoas já tenham morrido em Misrata, onde grupos humanitários dizem que a situação humanitária está se agravando e que faltam comida e suprimentos médicos.

Os rebeldes dizem que forças leais a Kadafi bombardearam a cidade intensivamente na última semana, embora a situação parecesse mais calma na manhã de quarta-feira.

A Alta Comissária das ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, disse que o suposto uso pelo governo líbio de bombas de fragmentação e armamentos pesados em Misrata pode representar um crime de guerra segundo as leis internacionais.

O governo nega que esteja atacando civis em Misrata.

"O número de mártires de ontem foi oito, em sua maioria civis", disse à Reuters por telefone um porta-voz dos insurgentes, Abdelsalam. "Mais de 20 pessoas ficaram feridas. Os franco-atiradores continuam a representar a maior ameaça aos civis e revolucionários (rebeldes)."

A televisão estatal líbia disse na quarta-feira que aviões de guerra da Otan atingiram infraestruturas de telecomunicações e transmissões em várias cidades. Ela não informou quando os ataques teriam ocorrido, nem quais os danos causados.

Autoridades ocidentais dizem que a Otan vem atacando unicamente alvos militares, dentro mandato dado à aliança pela ONU para impor uma zona de exclusão aérea e proteger civis contra as forças de Kadafi.

A Grã-Bretanha declarou na terça-feira que enviará militares para dar conselhos aos rebeldes sobre organização e comunicações, mas não para treinar ou armar combatentes.

Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores russo, disse que o apoio aéreo ocidental está permitindo à oposição líbia se recusar a sentar para negociar.

"O Conselho de Segurança da ONU nunca teve como objetivo derrubar o regime líbio", declarou ele em Belgrado.

A ONU apelou por um cessar-fogo em Misrata, dizendo que pelo menos 20 crianças foram mortas em ataques de forças governamentais.

Nove semanas após a eclosão da rebelião, inspirada pelos levantes contra governantes árabes autocratas, a campanha aérea conduzida pela Otan para deter os ataques contra civis fracassou em impedir os bombardeios contra os rebeldes.

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