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Pessoas comemoram o anúncio da vitória de Joe Biden nas eleições americanas na Black Live Matters plaza, em frente à Casa Branca, em Washington, 7 de novembro
Pessoas comemoram o anúncio da vitória de Joe Biden nas eleições americanas na Black Live Matters plaza, em frente à Casa Branca, em Washington, 7 de novembro| Foto: Olivier DOULIERY / AFP

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, reconheceu a vitória do democrata Joe Biden, anunciado neste sábado, dia 7, como presidente eleito dos Estados Unidos pela imprensa do país, que consolida o resultado da votação.

"Parabéns a Joe Biden e Kamala Harris. Esperamos continuar a trabalhar em estreita colaboração com os Estados Unidos pela democracia, direitos humanos, desenvolvimento e segurança no hemisfério", cumprimentou Almagro, pelo Twitter.

Como costuma ocorrer, uma missão da OEA com 28 especialistas e observadores de 13 países acompanhou a votação e apuração nos Estados Unidos. Num relatório preliminar, os analistas disseram que não encontraram indícios de "irregularidades graves" e pediram que os candidatos não levassem adiante "especulações" infundadas. O documento não cita o presidente Donald Trump, candidato republicano derrotado.

O chefe da OEA é acusado por políticos de esquerda na América Latina de servir como "marionete" de Trump, um termo pejorativo. Uruguaio, Luis Almagro foi advogado e diplomata, serviu como chanceler do governo de José Mujica no Uruguai e teve seu apoio para chegar à OEA, em 2015. Mas eles romperam por causa de posicionamentos de Almagro no cargo.

Almagro alinhou a OEA à política externa de Washington, dominante no continente, e levou o organismo a se opor a governos de esquerda. Ele é um crítico dos regimes castrista em Cuba e chavista na Venezuela. Apesar disso, manifestou-se contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016. Almagro foi reeleito neste ano e seu segundo mandato como secretário-geral da OEA até 2025.

Venezuela

Sob seu comando, a OEA compareceu a reuniões do Grupo de Lima, do qual Brasil e EUA fazem parte, criado para pressionar econômica e diplomaticamente pela renúncia do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. A organização diz que Maduro é ilegítimo, e reconhece como presidente encarregado o parlamentar de oposição Juan Guaidó. O Grupo de Lima se enfraqueceu a partir de 2018, com vitórias eleitorais da esquerda no México e na Argentina, eixos do Grupo de Puebla, que agora deve ser reforçado com a Bolívia.

Além do regime chavista, a OEA se envolveu no processo que emparedou o ex-presidente Evo Morales, na Bolívia. Um relatório de observadores da entidade citou indícios de fraude na eleição por voto impresso vencida por Evo no ano passado. O documento reforçou a ação de opositores de Evo e de militares que forçaram o boliviano, líder do partido Movimento ao Socialismo (MAS) a renunciar e deixar o país andino.

Quase um ano depois, o relatório da OEA foi contestado por acadêmicos independentes dos Estados Unidos, que viram erros de interpretação estatística sobre o funcionamento do sistema eleitoral boliviano. Neste domingo, 8, um aliado de Evo, o ex-ministro da Economia Luis Arce, toma posse em La Paz, depois de também ter sido eleito em primeiro turno. Ainda na Argentina, de onde viajará de volta à Bolívia, Evo disse a uma TV que "se houve fraude Trump deveria procurar Almagro".

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