
Um dia após o sangrento ataque que matou mais de 130 pessoas e deixou outras 380 feridas em Karachi, no Paquistão, a ex-premier do país Benazir Bhutto culpou o governo pela falta de segurança, que, segundo ela, permitiu a carnificina na maior cidade paquistanesa. Na quinta-feira, quando Bhutto regressava ao Paquistão após oito anos de exílio, bombas foram detonadas quando sua comitiva passava em meio a uma multidão de seguidores. Protegida por um forte esquema de segurança, a ex-premier escapou sem ferimentos.
"Sei exatemente quem quer me matar. São autoridades de alto escalão do antigo regime do general Zia-ul-Haq, que hoje estão por trás do extremismo e do fanatismo. Devemos expurgar esses elementos presentes nos nossos serviços secretos", declarou Bhutto em entrevista à revista francesa "Paris Match".
Bhutto comentou que a rua em que ocorreram as explosões estava escura porque as luzes dos postes haviam sido desligadas, fazendo com que fosse difícil garantir a segurança.
- O Partido do Povo do Paquistão (do qual Bhutto faz parte) condena veementemente o ataque contra a passeata pacífica na noite passada - disse a ex-premier. - Nossas orações e compaixão àqueles que perderam a vida ou ficaram feridos, e aos seus familiares. Eles fizeram o último sacrifício pela causa democrática - acrescentou.
O presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, condenou nesta sexta-feira o ataque suicida e prometeu uma investigação independente .
O governo paquistanês culpou rebeldes islâmicos pelo ataque. Do outro lado, o marido de Bhutto, Asif Ali Zardari, acusou nesta sexta-feira os serviços de inteligência paquistaneses de estar envolvidos no atentado contra o comboio .
Apesar do atentado, Bhutto garantiu que permanecerá no país para participar das próximas eleições legislativas. Há até a possibilidade de aliança com Musharraf.



