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"Corrija o mapa"

Sem apoio dos EUA, ONU aprova resolução para mudar distorções no mapa-múndi

Membros da ONU aprovaram alterações no mapa-múndi durante sessão da Assembleia Geral nesta sexta-feira (4) (Foto: Angel Colmenares/EFE)

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A Assembleia Geral da ONU adotou nesta sexta-feira (4) uma resolução para descontinuar o uso do atual modelo de mapa-múndi e substituí-lo por um que, segundo os apoiadores da medida, "reflita com mais precisão o tamanho dos continentes", especialmente a África, que durante séculos foi representada de forma desproporcionalmente pequena.

A iniciativa, cujo título é Correct the Map ("Corrija o mapa", em português), foi apoiada por 164 países, rejeitada pelos EUA e recebeu seis abstenções. O avanço da proposta promove o abandono gradual da projeção de Mercator, usada desde 1569, em favor de modelos como a projeção Equal Earth, criada em 2018 para representar com mais precisão a área dos continentes.

Embora a medida não proíba o uso da projeção de Mercator, a ONU e agências como a UNESCO devem adotar a projeção Equal Earth, que "oferece uma representação mais precisa" do tamanho dos continentes, conforme detalhado no documento. Além disso, a resolução insta os Estados-Membros, as organizações internacionais e outras entidades a adotarem e divulgarem o modelo.

Projeção adotada pela ONU, Equal Earth, foi criada em 2018. Crédito: Wikimedia Commons/Domínio público (Foto: Wikimedia Commons/Domínio público)

O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Togo, Robert Dussey, afirmou à Assembleia Geral que as projeções cartográficas distorcidas utilizadas em livros didáticos, meios de comunicação, plataformas digitais e diversos documentos oficiais "têm um impacto duradouro na percepção que gerações inteiras têm do nosso mundo".

Segundo Dussey, estas perceções contribuíram para "minimizar simbolicamente a dimensão de África e de outras regiões, gerando uma visão distorcida da geografia mundial".

O mundo na projeção de Mercator. Crédito: Wikimedia Commons/Strebe

Por sua vez, a delegação dos EUA argumentou durante a sessão que o país entende a resolução “como indissociável de um projeto ideológico mais amplo e radical” e criticou a Assembleia Geral por “debater questões de mapas do século XIX enquanto discute reparações e justiça cognitiva”.

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