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Recuperação das terras

Sem-terra paraguaios pressionam por desapropriação de brasileiros

Campesinos pedem que colonos brasileiros abandonem cerca de 1.800 hectares. Áreas supostamente seriam destinadas à reforma agrária

A Federação Nacional Campesina (FNC), uma das maiores que reúnem os sem-terra no Paraguai, unilateralmente deu um prazo até o dia 20 de fevereiro para que colonos brasileiros do departamento (Estado) de Kanindeyú abandonem cerca de 1.800 hectares onde se cultiva soja. A alegação dos campesinos é que as áreas seriam supostamente destinadas à reforma agrária.

Odilón Espínola, líder da FNC, disse em guarani nesta quarta-feira aos jornalistas que "tomamos a decisão de nos envolvermos diretamente para assegurar a recuperação das terras"

Espínola acrescentou que no dia 20 de fevereiro os sem-terra entrarão nas propriedades dos supostos ilegais, "mas atualmente já as ocupam parcialmente".

Alberto Romero, delegado do Instituto de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert) do governo paraguaio em San Juan, fez uma solicitação aos sem-terra. "Pedimos à FNC que suspenda sua decisão de destinar lotes de terreno a umas 163 famílias, até os agricultores brasileiros colherem a soja que se espera antes de 15 de fevereiro", disse Romero.

A documentação das 168 propriedades de soja do distrito San Juan, em Kanindeyú, 580 quilômetros a nordeste de Assunção, na fronteira com o Estado brasileiro de Mato Grosso do Sul, é verificada por funcionários do escritório do Indert, um órgão governamental.

Segundo funcionários do Indert, porém, das 168 propriedades, 125 foram beneficiadas com um amparo constitucional solicitado pelos donos e que lhes garantiria as propriedades. De acordo com a lei, nenhum estrangeiro pode ser beneficiário de uma terra destinada à reforma agrária.

Héctor Cristaldo, presidente da União de Grêmios da Produção (UGP), entidade que defende interesses do agronegócio, criticou o Indert "porque nenhum desalojo deve se fazer com 'torcida' e de maneira administrativa: deve haver uma resolução de um juiz competente, que contemple garantias para a colheita da soja".

O termo "torcida" foi usado em referência às cerca de mil pessoas da FNC que têm acompanhado nos últimos quatro dias os funcionários do Indert em seu trabalho de verificação dos títulos de propriedade.

O Paraguai é o terceiro produtor de soja na América do Sul, atrás de Brasil e Argentina.

O presidente da Associação Rural, Juan Néstor Núñez, afirma que o Indert "está atropelando os produtores de soja de Kanindeyú e, além disso, lança dados que não se sustentam, dizendo que 9,7 milhões de hectares estão em poder de somente 371 proprietários "

O próprio diretor do Indert, Alberto Alderete, difundiu as referidas cifras, porém admitiu desconhecer a identidade dos donos desses extensos terrenos. As informações são da Associated Press.

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