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Ameaça

Síria está mobilizando suas armas químicas, dizem EUA

Segundo autoridades, o regime de Bashar al-Assad pode estar planejando um ataque contra civis e rebeldes ou ainda estar apenas escondendo as armas para evitar que elas caíam nas mãos de dissidentes

Foto divulgada pela oposição ao regime sírio mostra protesto contra o governo de Assad em Hass | AFP PHOTO / HO / SHAAM NEWS NETWORK
Foto divulgada pela oposição ao regime sírio mostra protesto contra o governo de Assad em Hass (Foto: AFP PHOTO / HO / SHAAM NEWS NETWORK)

Um dia após relatos de um novo massacre na Síria chocarem a comunidade internacional, fontes do governo americano citadas pelo "Wall Street Journal" alegam que Damasco está retirando de armazéns parte de seu arsenal de armas químicas, composto por gás sarin e mostarda. Segundo autoridades, o regime de Bashar al-Assad pode estar planejando um ataque contra civis e rebeldes ou ainda estar apenas escondendo as armas para evitar que elas caíam nas mãos de dissidentes.

A Síria tem um dos maiores arsenais de armas químicas do Oriente Médio, dizem especialistas. Damasco - assim como outros oito países da região - não assinaram a Convenção de Armas Químicas, de 1993, que proíbe a produção, o estoque e o uso deste tipo de armamento. Desde o começo do levante antigovernista na Síria, em março do ano passado, EUA, países europeus e seus aliados na região monitoram com atenção as reservas de gás sarin, gás mostarda e cianuro de Damasco.

Não há consenso sobre a mobilização de armas químicas na Síria. Algumas fontes de Washington acreditam que o objetivo é estocar o arsenal em armazéns mais seguros, para que forças opositores não o encontrem. Por outro lado, há aqueles que apostam em um ataque químico contra rebeldes e civis, o que, se confirmado, pode significar mais uma virada na espiral de violência que o país vive. No entanto, um grupo de analistas vê a manobra como um blefe, uma tentativa de aterrorizar o Ocidente e ganhar força nas mesas de negociação.

O Ministério do Exterior sírio negou as acusações, classificando-as de "ridículas e falsas": "Se os EUA estão tão bem informados, por que não ajudam (Kofi) Annan a frear o fluxo de armas ilegais na Síria?", ironizou o porta-voz da chancelaria síria.

Opositores querem saída de Annan de resolução do conflito

Notícias do massacre que teria matado cerca de 200 pessoas - a maioria civis - na cidade de Tremseh, perto de Hama, geraram revolta dentro e fora da Síria. Em várias cidades, opositores saíram às ruas em solidariedade às vítimas da chacina nesta sexta-feira. Frustrados, rebeldes acusam o enviado especial da ONU e da Liga Árabe para o país, Kofi Annan, de acobertar a violência das tropas de Assad e pedem que ele seja retirado das negociações de resolução do conflito.

O diplomata, no entanto, condenou o massacre, no que foi considerado um de seus discursos mais duros em relação à Damasco.

"Estou chocado e horrorizado pelas notícias vindas de Tremseh. É uma violação do comprometimento do governo de cessar com o uso de armas pesadas em centros populacionais", disse Annan. "Condeno essas atrocidades nos termos mais fortes possíveis. É um lembrete do pesadelo e dos horrores aos quais a população síria está sendo submetida.

O Conselho Nacional Sírio (CNS) - principal órgão opositor - pediu uma reação mais dura do Conselho de Segurança, diante dos novos relatos de violência. O CNS pediu uma resposta com base no Capítulo 7 da Carta da ONU, que permite medidas punitivas - entre elas uma intervenção militar - contra regimes considerados uma ameaça à paz.

"Nós esperamos que os membros do Conselho de Segurança assumam total responsabilidade de proteger sírios indefesos contra esses crimes vergonhosos", disse o grupo opositor sírio.

A China - tradicional aliada do regime Assad - disse que poderá estudar "seriamente" uma nova resolução contra a Síria, em um indício de que o massacre pode significar uma mudança na postura do Conselho de Segurança. O porta-voz do ministro do Exterior chinês disse que o Conselho deve agora buscar o consenso.

Segundo ativistas locais, Tremseh foi invadida por um comboio de 25 veículos com tropas do governo, três carros militares e cinco caminhões com artilharia, na quinta-feira.

"Eles bloquearam o vilarejo por todos quatro lados e começaram a atirar aleatoriamente nas casas, enquanto um helicóptero sobrevoava a cidade. Eletricidade e linhas de telefone foram cortadas. Moradores se reuniram nas ruas com medo e pânico. Eles não conseguiam fugir por causa dos bloqueios", contou um rebelde.

O chefe da missão da ONU na Síria, Robert Mood, confirmou o uso de armas pessoas - incluindo helicópteros - em Tremseh. Ele disse que observadores estão prontos para entrar no vilarejo, desde que haja cessar-fogo. O número de vítimas do massacre ainda não é certo. O Observatório Sírio para Direitos Humanos fala em 160 mortes, enquanto o Comitê de Coordenação Local diz que 220 "mártires" morreram.

"Pelo bem do povo sírio, nós agora precisamos de uma liderança efetiva do Conselho de Segurança. O Conselho deve se unir em um plano que vá de acordo com as aspirações do povo sírios e que seja aceito por todas as partes", disse Mood, em uma coletiva de imprensa, nesta sexta-feira.

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