Rio de Janeiro Como muitas crianças do mundo nascidas na década da conquista do espaço, o brasileiro Marcos César Pontes sonhava em voar e em sair do planeta Terra. Nascido em 11 de março de 1963, na pequena cidade de Bauru, no interior de São Paulo, aos 5 anos Pontes já "sabia que queria ser astronauta", segundo sua família. Assim como outras crianças de sua idade, junto com os primeiros rabiscos desenhava aviões e foguetes. Mas sua imaginação não parou aí, já que o levou ao aeroclube de Bauru, que costumava freqüentar quando estava de folga na escola. Amigos e parentes lembram dele na beira da pista, com um caderninho e tomando nota das manobras dos pequenos aviões.
Quando cresceu, seus amigos no aeroclube o ensinaram a voar, de graça, já que sua família era muito pobre para pagar um curso oficial de aviação. O tenente-coronel Marcos Pontes tornou-se piloto de guerra na Força Aérea Brasileira, onde entrou aos 17 anos e se graduou com honras. Além disso, estudou eletrônica, outra de suas paixões, no Instituto Tecnológico da Aeronáutica, e fez doutorado em sistemas de engenharia naval na Postgraduate School de Monterrey, na Califórnia.
Filho de Virgílio Pontes, de 89 anos, um ex-goleiro, e de Zuleika Navarro Pontes, trabalhadora da Rede Ferroviária Federal e falecida em 2002, Pontes foi selecionado para entrar no programa de formação de astronautas da Nasa há oito anos, sendo treinado no Centro Espacial Johnson. No entanto, as esperanças do Brasil de mandar para o espaço o primeiro astronauta sul-americano ficavam cada vez mais distantes nos Estados Unidos. Por fim, um acordo assinado em 2004 entre os governos do Brasil e da Rússia abriu as portas para Pontes aos vôos Soyuz, a um custo de US$ 10 milhões.
Orgulho
A façanha deste piloto de 1,69 metro, que se considerava muito baixinho para as aventuras espaciais, encheu de orgulho os brasileiros. "É um dia de realização", declarou ontem em sua última entrevista coletiva antes do início da missão. Pontes, um tipo simples, de sorriso jovial, é casado com a brasileira Francisca Cavalcanti, com quem tem dois filhos. Ele gosta de futebol, de fazer musculação, de tocar piano e violão e de pintura. Seus vizinhos de Bauru dizem que ainda freqüenta o balcão do bar do aeroclube da cidade e que de vez em quando bebe uma caipivodca.
Como piloto militar, Pontes foi qualificado como instrutor de ataques em terra e de controle avançado de ataques no ar. Também tem 14 anos de experiência em investigações de acidentes aeronáuticos, como piloto de provas e em desenvolvimento de armas e mísseis. Acumula ainda mais de 1.900 horas de vôo em 20 diferentes aviões, incluindo aviões F-16 e F-18 e os russos MIG-29.







