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Sistema SAVE

Suprema Corte libera Trump para retomar checagem de cidadania de eleitores nos EUA

Suprema Corte libera Trump para retomar checagem de cidadania de eleitores
Decisão da Suprema Corte ocorre a poucos meses das eleições legislativas de novembro nos Estados Unidos. (Foto: MICHAEL REYNOLDS/EFE/EPA)

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A Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou nesta sexta-feira (25) o governo do presidente Donald Trump a retomar o uso ampliado de bases federais para verificar a cidadania de eleitores registrados para votar. A decisão suspendeu uma ordem de uma instância inferior que havia restringido o cruzamento de dados e ocorre a poucos meses das eleições legislativas de meio de mandato de novembro.

A medida envolve o chamado Systematic Alien Verification for Entitlements (SAVE), sistema administrado pelo Departamento de Segurança Interna (DHS). O programa existe desde 1986, mas foi ampliado pelo governo Trump para permitir que autoridades estaduais e locais façam consultas em massa para verificar a situação de pessoas inscritas ou tentando se registrar para votar.

Essa versão ampliada do SAVE passou a cruzar também informações mantidas pela Administração da Seguridade Social (SSA), incluindo números completos ou parciais do Social Security, identificação usada nos Estados Unidos para fins trabalhistas, tributários e previdenciários. Estados e autoridades locais podem enviar nome, data de nascimento e outros dados ao sistema, que compara as informações com registros federais. Quando o SAVE não consegue confirmar a cidadania de uma pessoa, a autoridade responsável pode entrar em contato com o eleitor e solicitar documentação adicional para que ele se registre ou permaneça registrado.

A Suprema Corte afirmou que os argumentos apresentados contra o compartilhamento dos dados não prevalecem porque uma lei federal autoriza expressamente o DHS a solicitar e receber de outros órgãos informações relacionadas à cidadania e ao status migratório.

A decisão foi contestada pelas três integrantes do bloco progressista da Corte: Sonia Sotomayor, Elena Kagan e Ketanji Brown Jackson. Jackson argumentou, em voto divergente acompanhado pelas outras duas magistradas, que os possíveis prejuízos a eleitores habilitados superam os danos alegados pelo governo caso o sistema permaneça bloqueado. Organizações que questionam a política dizem que registros federais podem estar desatualizados e, por exemplo, identificar como estrangeiros pessoas que posteriormente obtiveram a cidadania americana. O índice geral de erros do sistema não foi divulgado pelo governo.

O governo Trump sustenta que o mecanismo ajuda os estados a impedir que não cidadãos participem ilegalmente das eleições nos EUA. O voto de estrangeiros em eleições federais já é proibido pela legislação americana. O governo Trump vem ampliando investigações e outras iniciativas de fiscalização eleitoral antes das eleições de novembro.

O SAVE havia sido bloqueado em junho pela juíza federal Sparkle Sooknanan, de Washington. Ela considerou que a reformulação do banco de dados tinha problemas jurídicos e questionou a confiabilidade das informações sobre cidadania utilizadas pelo governo. No começo deste mês, um tribunal federal de apelações recusou, por dois votos a um, suspender a decisão, levando o Departamento de Justiça a recorrer à Suprema Corte.

A determinação desta sexta-feira ainda não encerra o processo. A Suprema Corte apenas suspendeu os efeitos da decisão inferior enquanto a disputa judicial continua, permitindo que o governo volte a utilizar o sistema ampliado nesse período.

A ampliação do SAVE ocorreu após um decreto assinado por Trump em março. O decreto determinou que o Departamento de Segurança Interna, em coordenação com a Seguridade Social, ampliasse o uso de bases federais para verificar a cidadania de eleitores e fornecesse essas informações às autoridades eleitorais dos estados.

Para cumprir o decreto, o governo passou a incorporar novos dados da Seguridade Social ao SAVE e ampliou a capacidade do sistema de realizar consultas em massa.

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