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Investigações da Lava Jato levaram à prisão de 6 ex-presidentes na América Latina. Veja a lista
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Ollanta Humala (Peru)

Ollanta Humala, 55, foi o primeiro dirigente de um país latino-americano preso por causa de desdobramentos das delações da Odebrecht no decorrer da Operação Lava Jato, ainda que já não mais exercendo o cargo.

Presidente do Peru entre 2011 e 2016, ele e sua esposa, a ex-primeira-dama Nadine Heredia, 41, tiveram prisão preventiva de 18 meses decretada em julho de 2017. O casal foi acusado de lavagem de dinheiro devido ao recebimento de caixa dois durante as campanhas eleitorais de 2006, em que Humala perdeu para Alan García, e de 2011, quando venceu Keiko Fujimori. Em ambos os casos, a construtora brasileira Odebrecht teria pago dinheiro não declarado para a campanha, num total de US$ 3 milhões.

O juiz Richard Concepción Carhuancho, que expediu o mandado de prisão preventiva, alegou que haviam sido apresentados fatos novos que apontavam para a possibilidade de Humala deixar o país, já que sua mãe, mulher e filhas haviam viajado recentemente, e a de ele e Heredia tentarem atrapalhar as investigações em curso. O casal foi solto em 30 de abril de 2018 e está respondendo às acusações em liberdade.

Segundo o procurador responsável pela Lava Jato no Peru, o caso é considerado a “parte menor” dos crimes da empreiteira por lá, que envolveriam o superfaturamento em centenas de milhões em obras públicas. Segundo declarações da própria empreiteira, entre 2005 e 2014 foram pagos cerca de US$ 29 milhões em propinas no país.

Alejandro Toledo (Peru)

Antecessor de Humala na presidência do Peru, Alejandro Toledo também foi denunciado na Operação Lava Jato. O ex-presidente é acusado de ter recebido US$ 20 milhões para favorecer a construtora brasileira em uma licitação para a obra da estrada inter-oceânica, que liga o país ao Brasil. Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão, que também participaram da mesma obra, teriam pago suborno de US$ 6 milhões para Toledo.

O primeiro mandado de prisão preventiva de 18 meses foi emitido pela Justiça peruana em fevereiro de 2017. Na época, um alerta teve que ser emitido pela Interpol, já que o presidente estavam em Paris, com sua esposa, Eliane Karp.

Dois meses depois, novo mandado foi expedido. Segundo o El País, o juiz Mario Guerra Bonifacio emitiu uma nova ordem de 18 meses de prisão para ele, sua esposa Eliane Karp, o empresário Josef Maiman e o ex-chefe da segurança presidencial Avraham Dan On. Junto com essa medida, ordenou a emissão de mandados de captura nacionais e internacionais para todos os mencionados.

Toledo está foragido nos Estados Unidos. Em 18 de março deste ano ele foi preso por se embriagar em público em um restaurante em Palo Allto, na Califórnia, mas só passou uma noite na prisão. O Peru apresentou uma pedido de extradição de Toledo aos EUA, mas as autoridades americanas ainda estão avaliando o pedido.

Ricardo Martinelli (Panamá)

O ex-presidente do Panamá Ricardo Martinelli (2009-2014) foi preso em junho de 2017 em Miami, nos Estados Unidos, após a emissão de um alerta vermelho da Interpol, solicitado pela Corte Suprema de Justiça do Panamá. A expedição do mandado de prisão ocorreu porque o político não compareceu a audiência de um processo em que é investigado.

Martinelli, 63 anos, é mais um político na lista dos envolvidos em corrupção na Operação Lava Jato. Ele é acusado de interceptar as comunicações de 150 pessoas entre empresários, jornalistas, dirigentes da sociedade civil e políticos opositores ao seu governo. Também é investigado pela Suprema Corte panamenha por inúmeros casos de corrupção, inclusive um suposto superfaturamento de US$ 45 milhões para a compra de comida desidratada para escolas públicas e contratos superfaturados com a Odebrecht. Os filhos de Martinelli também foram acusados de cobrar da empreiteira brasileira milhões em propina.

Segundo o Estadão, o ex-presidente não retorna ao Panamá desde janeiro de 2015, quando a Corte Suprema de Justiça abriu contra ele o primeiro de uma lista de dez processos nos quais ele é investigado, a maioria por corrupção.

Martinelli foi extraditado ao Panamá em junho de 2018 e desde então está preso na penitenciária El Renacer.

Maurício Funes (El Salvador)

Maurício Funes, ex-presidente de El Salvador entre 2009 e 2014, teve sua prisão decretada em junho de 2018, junto com 30 de seus aliados, incluindo dois filhos. Acusado de corrupção pelo desvio de US$ 351 milhões durante o seu governo, o ex-presidente está foragido na Nicarágua.

Funes assumiu a Presidência em 2009, levando ao poder o partido formado a partir da antiga guerrilha de esquerda FMLN (Frente Farabundo  Martí de Libertação Nacional), em campanha comandada pelo marqueteiro brasileiro João Santana. Na época presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia de posse.

O que baseou o pedido de prisão foi o depoimento do marqueteiro do PT João Santana. Em sua delação premiada no Brasil, Santana afirmou que participou da campanha de Funes, a pedido de Lula, e que ela foi bancada com dinheiro de caixa 2 da Odebrecht. Os advogados do petista afirmam que a acusação é mentirosa. A esposa de Funes, a brasileira Vanda Pignato, que havia sido filiada ao PT, foi presa em El Salvador, sob as mesmas acusações que pesam contra o marido.

Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil)

O ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva foi detido em 7 de abril de 2018, condenado em dois processos da Operação Lava Jato, cujas penas somam 25 anos de prisão. Desde então ele está preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, no Paraná.

No processo do Tríplex do Guarujá ele foi condenado a 9 anos e meio de prisão, em primeira instância, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. A sentença foi revista pelo Tribunal Federal da 4ª Região (TRF-4), que aumentou a pena para 12 anos e um mês de prisão. O julgamento em segunda instância levou Lula à prisão.

Em fevereiro deste ano, o ex-presidente petista foi condenado no processo do Sítio de Atibaia a 12 anos e meio de prisão em regime fechado. A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) apontava que Lula era dono de um sítio em Atibaia, que teria sido reformado por empreiteiras como forma de pagamento de propina para o ex-presidente. A justiça aceitou a argumentação do MP condenando-o por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Lula ainda é réu em outros cinco processos em que é acusado por organização criminosa, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Michel Temer (Brasil)

A força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro prendeu nesta quinta-feira (21) o ex-presidente Michel Temer.

A Justiça Federal do Rio vinha apurando um contrato milionário da Eletronuclear para a construção da usina de Angra 3, que foi paralisado devido a suspeitas levantadas pela Lava Jato. O contrato, de R$ 162 milhões, foi firmado pela multinacional AF Consult, que subcontratou a AF Consult do Brasil, que por sua vez tem a Argeplan em seu quadro societário.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) sustenta que a empresa, que tem como um de seus sócios o coronel João Baptista Lima Filho, pertence de fato ao ex-presidente. Temer não foi condenado neste processo. Sua prisão é preventiva.

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