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Ameaça

Terrorismo islâmico muda de perfil e segue ameaçando os EUA, 25 anos após o 11 de Setembro

Flor em homenagem às vítimas no Monumento e Museu Nacional do 11 de Setembro, em Nova York (Foto: EFE/Ángel Colmenares)

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Os atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos completam 25 anos nesta sexta-feira, em um momento em que o terrorismo islâmico muda de perfil para seguir agredindo o país, onde quase 3 mil pessoas foram mortas nos ataques daquele dia em 2001.

Órgãos de inteligência americanos e especialistas acreditam que a hipótese de um ataque complexo nos Estados Unidos organizado e realizado diretamente por grupos terroristas estrangeiros hoje é pequena, já que muita coisa mudou nas últimas duas décadas e meia.

“Um atentado nos moldes do 11 de Setembro tornou-se muito mais difícil de replicar contra os EUA, sobretudo devido ao reforço da segurança pós-2001”, disse Ricardo Caichiolo, mestre em história das relações internacionais e diretor do Ibmec Brasília, em entrevista à Gazeta do Povo.

O especialista afirmou que a intenção de atacar interesses americanos segue “presente em grupos como Al-Qaeda e Estado Islâmico”, mas “houve uma limitação da capacidade” dessas organizações terroristas, o que diminuiu a probabilidade de um grande atentado ao longo dos anos.

“O risco de um atentado centralizado de grandes proporções é hoje residual, enquanto a ameaça predominante é distribuída e descentralizada”, disse Caichiolo.

Em relatório divulgado em março, a Comunidade de Inteligência dos EUA, grupo que reúne as agências federais do setor, destacou que operações de contraterrorismo “reduziram a capacidade de grupos terroristas estrangeiros de treinar e enviar agentes para atuar localmente, somadas a uma maior segurança nas fronteiras, processos de triagem e verificação mais rigorosos e um melhor compartilhamento internacional de informações, fatores que dificultaram o deslocamento de potenciais agentes”.

Em entrevista no início desta semana à emissora ABC, o vice-diretor adjunto do FBI, Chris Raia, disse que os Estados Unidos estão “em uma posição muito melhor agora” do que há 25 anos para evitar atentados terroristas, “graças à[s mudanças na] legislação, aos avanços que alcançamos no FBI e aos progressos feitos pela Comunidade de Inteligência dos EUA”.

Novo perfil do terrorismo “tira o sono” dos EUA

Porém, o vice-diretor do FBI alertou na entrevista que os grupos terroristas islâmicos têm se mostrado “adaptáveis” e “ágeis” e estão recorrendo à estratégia de “agressores solitários” dentro dos Estados Unidos, uma tática extremamente difícil de combater.

“Vemos pessoas sendo radicalizadas no conforto de suas próprias casas, por meio das redes sociais, da internet”, disse Raia. “São essas as pessoas que me tiram o sono, porque é muito mais difícil para nós detectá-las.”

A ABC informou que, de um ano e meio para cá, o FBI prendeu 16 pessoas nos Estados Unidos por planejarem ou apoiarem planos para atentados no país em nome da Al-Qaeda e do Estado Islâmico.

“O risco terrorista contra os Estados Unidos migrou de ataques complexos e centralizados, planejados por organizações como Al-Qaeda e Estado Islâmico, para a atuação de indivíduos autorradicalizados no ambiente digital. Esses atores apresentam pouco ou nenhum contato operacional direto com os grupos referidos”, disse Ricardo Caichiolo à Gazeta do Povo.

“Essa transformação reflete o enfraquecimento estrutural dessas redes, que tiveram sua capacidade de planejar operações sofisticadas reduzida, somado à eficácia da propaganda virtual, que engaja indivíduos isolados sem a necessidade de uma cadeia de comando formal”, acrescentou.

No seu relatório, a Comunidade de Inteligência dos EUA destacou que “mesmo que a Al-Qaeda e o Estado Islâmico estejam significativamente mais fracos do que em seus respectivos auges, no início dos anos 2000 e em meados da década de 2010”, o país continua a enfrentar “um cenário de ameaças complexo e em evolução”, no qual essas organizações terroristas “divulgam materiais incentivando apoiadores nos EUA a realizar ataques e, muitas vezes, oferecem orientações táticas”.

“Embora a Al-Qaeda e o Estado Islâmico mantenham a intenção de lançar operações contra os EUA, o cenário mais provável de ataque terrorista em território nacional envolve agressores solitários radicados no país”, apontou o relatório.

Eventos mundiais, como a guerra em Gaza, são utilizados para radicalização

O documento da Comunidade de Inteligência dos EUA citou dois episódios como exemplos desse novo perfil do terrorismo islâmico.

Em 1º de janeiro de 2025, um americano muçulmano que havia declarado apoio ao Estado Islâmico jogou uma caminhonete contra uma multidão em Nova Orleans, na Louisiana, e depois saiu do veículo efetuando disparos. Ele foi morto a tiros pela polícia, após ter matado 14 pessoas e ferido outras 57.

O outro caso mencionado pelo relatório ocorreu em 1º de junho de 2025, em Boulder, no estado do Colorado.

Um egípcio residente nos Estados Unidos utilizou um lança-chamas improvisado e coquetéis Molotov para atacar pessoas que participavam de uma caminhada de solidariedade aos reféns israelenses levados pelo grupo terrorista Hamas durante os ataques de 7 de outubro de 2023.

Pelo menos sete pessoas ficaram feridas, incluindo o autor do ataque, e uma mulher de 82 anos morreu no dia seguinte ao atentado, em decorrência dos ferimentos.

O relatório da Comunidade de Inteligência dos EUA destacou que a propaganda da Al-Qaeda e do Estado Islâmico “frequentemente explora eventos mundiais, como o conflito em Gaza, para alimentar a radicalização e a mobilização”.

Vinte e cinco anos depois dos maiores atentados terroristas registrados em solo americano, a ameaça pode ter sido reduzida, mas permanece.

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