
Ouça este conteúdo
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (30) que o Conselho de Paz chegou a um acordo para o "desarmamento total" do Hamas e de outros grupos terroristas que atuam na Faixa de Gaza, um passo que ele descreveu como "histórico" rumo à criação de um novo governo palestino no enclave.
Por meio da Truth Social, o republicano afirmou que "o acordo será implementado em fases cuidadosamente estruturadas" e que, uma vez concluído o desarmamento, as forças israelenses se retirarão, enquanto uma Força Internacional de Estabilização atuará ao lado de uma nova força policial palestina para garantir a segurança de Gaza.
Trump também agradeceu ao Egito, ao Catar e à Turquia por seus esforços de mediação, bem como à sua equipe de negociação por alcançar o pacto.
O anúncio oficial confirma o que uma fonte árabe familiarizada com o assunto disse mais cedo ao jornal Times of Israel. A informação é a de que o Hamas teria concordado com uma proposta de 15 pontos do Conselho de Paz, que prevê a entrega gradual do armamento do grupo terrorista. Essa etapa poderá começar nos próximos dias.
Por outro lado, à medida que se acumulavam relatos sobre um acordo iminente, um membro do governo israelense disse sob condição de anonimato que o acordo ainda não era motivo de otimismo. Segundo ele, a proposta de 15 pontos "não aborda adequadamente" as exigências de Israel pela "desmilitarização completa, [que é] uma condição prévia para qualquer processo".
A proposta em discussão prevê que o Hamas, ao longo de um período de oito meses, entregue gradualmente seu armamento ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza, o painel de tecnocratas palestinos supervisionado pelo Conselho de Paz e encarregado de substituir o grupo terrorista no governo da Faixa, disse um diplomata árabe, acrescentando que os terroristas que cumprirem a exigência receberão anistia.
Durante meses, o Hamas protelou as negociações, recusando-se a entregar suas armas e tentou transferir unilateralmente o controle para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza sem se desarmar.
Segundo o portal Axios, a pressão externa e a crescente crise econômica na Faixa de Gaza, atribuída à liderança do grupo terrorista, levaram o Hamas a aceitar o desarmamento anunciado nesta quinta-feira por Trump.
O presidente americano descreveu o acordo como um "marco importante" na implementação de seu plano de 20 pontos para Gaza, apresentado em 29 de setembro de 2025, juntamente com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. O plano delineava um roteiro para o fim da guerra, a libertação dos reféns, o estabelecimento de uma estrutura de segurança para Israel e a transição para uma administração palestina tecnocrática no enclave.
O plano incluía, entre outros pontos, o desarmamento do Hamas, a retirada gradual das forças israelenses e a criação de uma estrutura internacional de supervisão para a reconstrução e governança de Gaza.




